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Brasil bate recorde nas exportações de algodão e consolida liderança

Jornal Económico28 de agosto de 2026 às 08:28

O Brasil encerrou a campanha comercial 2025/26 com um novo máximo histórico nas exportações de algodão, exportando 3.373.941 toneladas, um aumento de 19% face ao ciclo anterior, o que lhe permitiu consolidar a liderança mundial como maior exportador da fibra. A receita alcançou um recorde de 5,3 mil milhões de dólares, um crescimento de aproximadamente 9% em relação à campanha anterior. De acordo com dados do ComexStat compilados pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o volume exportado aumentou em cerca de 538,5 mil toneladas, e o setor gerou um excedente comercial de 5,293 mil milhões de dólares.

Os Estados Unidos ocupam o segundo lugar no ranking mundial das exportações, com 2,656 milhões de toneladas, seguindo-se a Austrália com 1,241 milhão. O Brasil exportou cerca de 718 mil toneladas a mais do que os Estados Unidos. Segundo Danyella Bonfim, coordenadora de Inteligência e Análise de Mercado da Abrapa, este desempenho resulta de um processo de transformação desenvolvido ao longo dos últimos anos, que combinou a ampliação da produção e ganho de escala com avanços em qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade.

A China manteve-se como o principal destino das exportações brasileiras, adquirindo 770,5 mil toneladas, o equivalente a cerca de 23% do total exportado, um aumento de 309,2 mil toneladas face ao ciclo anterior. Este crescimento está relacionado, em parte, com as tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos, que reduziram a competitividade do algodão norte-americano no mercado chinês. Também o Bangladesh registou um aumento expressivo de 173,2 mil toneladas, enquanto o Vietname e o Paquistão reduziram as compras. A Índia destacou-se como um mercado em forte expansão, com as importações de algodão brasileiro a multiplicarem-se por mais de quarenta vezes em apenas dois anos.

Para a campanha comercial 2026/27, a Abrapa prevê uma produção de cerca de 3,9 milhões de toneladas e exportações na ordem dos 3,1 milhões de toneladas, uma ligeira redução que reflete uma menor disponibilidade de produto para exportação. Ainda assim, a associação considera que as perspetivas permanecem positivas, salientando que o desafio agora é aumentar a presença nos diferentes mercados, diversificar os destinos e consolidar relações comerciais de longo prazo.

O Brasil encerrou a campanha comercial 2025/26 com um novo máximo histórico nas exportações de algodão, reforçando a sua posição como maior exportador mundial da fibra. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, o país exportou 3.373.941 toneladas de algodão, um aumento de 19% face ao ciclo anterior, alcançando uma receita recorde de 5,3 mil milhões de dólares (cerca de 5,3 mil milhões de dólares norte-americanos).

Segundo dados do ComexStat compilados pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o volume exportado aumentou em cerca de 538,5 mil toneladas relativamente à campanha de 2024/25, enquanto o valor das exportações registou um crescimento de aproximadamente 9%.

Para Danyella Bonfim, coordenadora de Inteligência e Análise de Mercado da Abrapa, este desempenho resulta de um processo de transformação desenvolvido ao longo dos últimos anos.”O Brasil ampliou a sua produção e ganhou escala, ao mesmo tempo que avançou em qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade. Esta combinação tem fortalecido a competitividade do algodão brasileiro e, sobretudo, a confiança dos compradores internacionais na capacidade do país para abastecer o mercado de forma regular e consistente”, afirmou.

Vantagem sobre os Estados Unidos

O desempenho permitiu ao Brasil manter a liderança mundial das exportações de algodão. De acordo com o relatório de agosto da Abrapa, baseado em dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os Estados Unidos ocupam o segundo lugar, com 2,656 milhões de toneladas exportadas, seguindo-se a Austrália, com 1,241 milhão.

O Brasil exportou cerca de 718 mil toneladas a mais do que os Estados Unidos, consolidando-se como um fornecedor estratégico para a indústria têxtil internacional.

Segundo Danyella Bonfim, o país destaca-se não apenas pelo volume disponível, mas também pela sua fiabilidade. “Hoje, o Brasil não se destaca apenas pela quantidade que oferece ao mercado, mas pela capacidade de se posicionar como um fornecedor fiável, competitivo e estratégico.”

A responsável explica que esta posição assenta em quatro pilares fundamentais: qualidade, sustentabilidade, rastreabilidade e capacidade de oferta. “O Brasil consegue reunir estes atributos em larga escala, o que transmite segurança a uma indústria que precisa de planear o abastecimento de matéria-prima ao longo de todo o ano. Esta combinação tem sido essencial para reforçar a competitividade do algodão brasileiro e construir relações comerciais de longo prazo.”

China mantém liderança entre os compradores

A China voltou a ser o principal destino das exportações brasileiras de algodão, adquirindo 770,5 mil toneladas, o equivalente a cerca de 23% do total exportado pelo Brasil durante a campanha.

Face ao ciclo anterior, as compras chinesas aumentaram em 309,2 mil toneladas. De acordo com Danyella Bonfim, este crescimento está relacionado, em grande medida, com as tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos. “O algodão norte-americano, o nosso principal concorrente neste segmento de qualidade, continua sujeito a uma sobretaxa no mercado chinês, o que reduz a sua competitividade. O algodão brasileiro ganha espaço por oferecer uma boa combinação entre qualidade, disponibilidade e preço.”

Também o Bangladesh registou um aumento expressivo das importações, com mais 173,2 mil toneladas adquiridas. O crescimento é explicado pela expansão da indústria têxtil local e pela procura crescente por algodão proveniente de sistemas de produção mecanizados, segmento em que o Brasil apresenta vantagens competitivas.

Em sentido contrário, Vietname e Paquistão reduziram as compras de algodão brasileiro em 137,4 mil e 79,2 mil toneladas, respetivamente.

Índia ganha importância

A Índia destacou-se igualmente como um mercado em forte expansão. Em apenas dois anos, as importações de algodão brasileiro multiplicaram-se por mais de quarenta vezes.

Apesar de ser um dos maiores produtores mundiais da fibra, a dimensão da indústria têxtil indiana obriga frequentemente o país a recorrer às importações para satisfazer a procura interna.

Em 2025, a suspensão temporária da tarifa de 11% sobre as importações de algodão favoreceu o aumento das compras externas, permitindo ao Brasil beneficiar da disponibilidade de produto, preços competitivos e capacidade logística.

Segundo Danyella Bonfim, o crescimento resulta também do trabalho desenvolvido junto da indústria têxtil indiana. “Quando surgiu a necessidade de importar mais, o algodão brasileiro já era conhecido e tinha espaço junto dos compradores. É importante recordar que este crescimento parte de uma base reduzida. Ainda assim, a rapidez da expansão demonstra o potencial da Índia para assumir uma relevância crescente.”

Exportações aceleraram no final do ano

O ritmo das exportações intensificou-se nos últimos meses de 2025. Depois de embarcar 294 mil toneladas em outubro e 402 mil em novembro, o Brasil atingiu em dezembro o melhor resultado mensal da campanha, com 452 mil toneladas exportadas.

Após uma desaceleração em janeiro e fevereiro de 2026, os embarques voltaram a crescer em março e abril. Julho encerrou a campanha com 155 mil toneladas exportadas, um aumento de 21,8% face ao mesmo mês de 2025, representando o segundo melhor resultado de sempre para esse mês.

O setor gerou ainda um excedente comercial de 5,293 mil milhões de dólares, mais 9% do que na campanha anterior.

Perspetivas para 2026/27

Para a campanha comercial 2026/27, a Abrapa prevê uma produção de cerca de 3,9 milhões de toneladas e exportações na ordem dos 3,1 milhões de toneladas.

A ligeira redução esperada deverá refletir uma menor disponibilidade de produto para exportação, em consequência de uma safra de menor dimensão.

Ainda assim, a associação considera que as perspetivas permanecem positivas. “O desafio agora não é apenas exportar mais, mas aumentar a presença nos diferentes mercados, diversificar os destinos e consolidar relações comerciais de longo prazo”, concluiu Danyella Bonfim.

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