Robôs batem quatro recordes mundiais humanosFoto de César Coni no Pexels
Tecnologia

Robôs batem quatro recordes mundiais humanos

Jornal Económico28 de agosto de 2026 às 07:50

A segunda edição dos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides decorreu entre 22 e 26 de agosto no National Speed Skating Oval, o "Ice Ribbon", em Pequim, o recinto utilizado nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022. O evento contou com 2.056 robôs pertencentes a 666 equipas de 16 países, que participaram em 51 eventos e 1.301 competições, sendo que a esmagadora maioria dos robôs era chinesa. A competição incluiu provas de velocidade, salto, futebol, ténis de mesa,-boxe, artes marciais, dança e levantamento de pesos, além de 21 desafios baseados em cenários, dos quais 40% exigiam funcionamento autónomo.

O Tiangong Ultra, um robô humanoide vermelho sem cabeça desenvolvido pelo Beijing Humanoid Robot Innovation Center, tornou-se o grande protagonista ao bater quatro recordes mundiais humanos. Nos 100 metros, alcançou 8,64 segundos, superando os 9,58 segundos de Usain Bolt. Nos 400 metros, fez 38,15 segundos contra os 43,03 de Wayde van Niekerk. Nos 1500 metros, conquistou a marca de 2 minutos e 21,63 segundos, muito abaixo dos 3 minutos e 26 segundos de Hicham El Guerrouj. No salto a partir da posição parada, chegou aos 2,88 metros, superando os 2,45 metros do recorde humano de Javier Sotomayor.

Os humanos tiveram a sua desforra no salto em comprimento, onde o robô Tianjiao alcançou 7,97 metros, mas ficou aquém dos 8,95 metros do recorde mundial de Mike Powell, estabelecido em 1991. O evento também proporcionou momentos caricatos, com robôs a cair durante combates de boxing e a perder o equilíbrio em provas de levantamento de pesos, precisando de ajuda humana para se levantarem.

Os principais fabricantes chineses presentes incluíram Unitree, UBTECH, Fourier Intelligence, AgiBot, Leju Robotics, Galbot e RobotEra. A evolução tecnológica ficou evidenciada pelo facto de o Tiangong ter melhorado a sua marca nos 100 metros de 21,50 segundos em 2025 para 8,64 segundos em 2026. O evento demonstrou que, embora os robôs já consigam superar os humanos em capacidades físicas específicas, continuam a ter dificuldades em adaptar-se ao inesperado e em tarefas que requerem sensibilidade manual.

Berlim, 1936, Jesse Owens, norte-americano, negro, vence a prova de 100 metros, a seguir a de 200, a estafeta por 4×100 e o salto em comprimento. Foi o herói dos Jogos Olímpicos. Adolf Hitler deixa a tribuna para não ter de o cumprimentar.
Los Angeles, 1986, Carl Lewis corre em casa. Vence os 100 metros, os 200 metros, a estafeta 4×100 metros e, sobretudo, o salto em comprimento. É a cara dos jogos.
Shenzhen, 2026. Tiangong Ultra, um robô humanoide vermelho sem cabeça faz manchetes na China ao quebrar o recorde de Bolt nos 100 metros, o corredor mais rápido do mundo. Além disso, superou os tempos de outros recordistas nos 400 metros, 1500 metros e no salto em comprimento parado.
Foram homens que transformaram a ideia dos limites humanos. Agora, em Pequim, são as máquinas que querem reescrevê-la ao baterem os recordes mundiais dos humanos.
A segunda edição dos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides (World Humanoid Robot Games) aconteceu entre 22 e 26 de agosto, no National Speed Skating Oval, o “Ice Ribbon”, em Pequim, no recinto utilizado nos jogos Olímpicos de Inverno de 2022. Um evento que parece ainda pertencer ao território da ficção científica, mas que já dá pistas para o que nos espera no futuro. Dentro e fora de campo.
Mas quais foram exatamente os tempos e as diferenças? “Tiangong Ultra atingiu 9,39 segundos na competição e 8,86 nas meias-finais, terminando, no entanto com o recorde de 8,64 segundos”, divulgou a Reuters, fazendo assim história nos 100 metros ao correr mais rápido do que Usain Bolt. Recorde-se que este atingiu aquela distância em 9,58 segundos durante a final dos Campeonatos do Mundo de Atletismo, em Berlim. Uma marca que continua a ser referência mundial da velocidade.
Também no salto, Tiangong Ultra alcançou 2,88 metros a partir da posição parada, superando os 2,45 metros do recorde mundial humano de Javier Sotomayor. Porém, a comparação tem uma ressalva: a prova robótica tinha regras próprias e não corresponde exatamente ao salto em altura olímpico.
Mas há mais vitorias. Nos 400 metros, o Tiangong fez 38,15 segundos, contra os 43,03 segundos do recorde mundial de Wayde van Niekerk, estabelecido nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. E nos 1.500 metros, a televisão estatal chinesa, afiança que um robô da equipa do Tianzhuo conquistou a medalha de ouro com 2 minutos e 21,63 segundos, muito abaixo dos 3 minutos e 26 segundos do marroquino Hicham El Guerrouj, recordista mundial desde 1998.

A desforra dos humanos
Apesar de terem ficado conhecidos como as “Olimpíadas dos Robôs”, estes Jogos não tiveram qualquer relação com o Comité Olímpico Internacional. Foram uma competição internacional dedicada aos robôs humanoides, para testar velocidade, força, equilíbrio, manipulação de objectos e autonomia. Segundo o portal oficial de Pequim, a edição de 2026 incluiu 30 provas competitivas e 21 desafios baseados em cenários.
E foram muitos os concorrentes: 2.056 robôs, pertencentes a 666 equipas de 16 países, participaram em 51 eventos e 1.301 competições. A esmagadora maioria era chinesa: 1.975 robôs.
Porém, no salto em comprimento, os humanos tiveram a revanche. O Tianjiao chegou aos 7,97 metros, mas ficou aquém dos 8,95 metros do norte-americano Mike Powell, recorde mundial desde 1991. O resultado foi divulgado pela CCTV, emissora estatal chinesa.

Nem tudo foi velocidade
A competição incluiu futebol, ténis de mesa, boxe, artes marciais, dança, levantamento de pesos e luta de tracção. Mas uma das características mais importantes desta edição foi o peso dado aos desafios práticos.
O portal oficial de Pequim confirma 21 desafios baseados em cenários, incluindo emergência, hotelaria e operações de precisão. De salientar que 40% dos mesmos exigiam que os robôs funcionassem de forma autónoma. Estes tiveram de enfrentar tarefas inspiradas em ambientes industriais e de serviços (veja caixa 21 desafios baseados em cenários que representam a vida real).
No futebol, as equipas passaram a ter cinco robôs, obrigando as máquinas a melhorar a percepção espacial e a capacidade de trabalhar em equipa, apesar de terem havido alguns “desencontros” em campo. No entanto, um dos robôs conseguiu marcar um golo de livre, celebrando com o famoso “Siuuu” do Cristiano Ronaldo. A bola não era empurrada por uma máquina: tinham de a ver, aproximar-se, equilibrar-se e rematar.

Os fabricantes destes robôs
Os grandes fabricantes chineses. Além do Tiangong, desenvolvido pelo Beijing Humanoid Robot Innovation Center, participaram máquinas de empresas como Unitree, UBTECH, Fourier Intelligence, AgiBot, Leju Robotics, Galbot e RobotEra. A Unitree, por exemplo, levou modelos para as provas de velocidade e futebol, enquanto a UBTECH desenvolve robôs destinados à indústria e aos serviços. A diversidade de fabricantes mostra que a competição já não é apenas sobre construir um robô que consiga andar: é sobre criar máquinas que consigam ver, decidir, agir e aprender num ambiente concebido para humanos.
E foi precisamente aí que apareceram algumas das melhores imagens dos Jogos. Enquanto o Tiangong Ultra corria mais depressa do que Usain Bolt, outros robôs revelavam dificuldades bem mais básicas. Alguns caíram, outros tiveram problemas para travar e houve máquinas que perderam o equilíbrio em provas de força.
A ironia é quase perfeita: a máquina já consegue correr mais depressa do que o homem mais rápido do mundo, mas ainda está a aprender a lidar com um peso que não coopera. Um dos robôs caiu num combate de boxe e ficou junto às cordas, tendo de ser ajudado por humanos. Oque segundo a imprensa chinesa criou um momento caricato, uma vez que aproximou o humanoide do que poderia acontecer a um desportista em campo. Outro perdeu o equilíbrio na prova de levantamento de pesos caindo sobre a mesa dos juízes e teve de ser levado por uma maca.
É por isso que os recordes de Pequim devem ser vistos com cautela. Um robô não é um atleta humano: não tem músculos, pulmões ou metabolismo e pode ser construído especificamente para maximizar determinada capacidade. Os resultados não são novos recordes oficiais do atletismo mundial. O que os números mostram é outra coisa: a velocidade com que a tecnologia está a evoluir.
Em 2025, o Tiangong tinha feito os 100 metros em 21,50 segundos. Um ano depois, chegou aos 8,64 segundos. O que prova que a verdadeira competição joga-se nas fábricas.

A mensagem de Pequim
Um robô que corre os 100 metros em menos de nove segundos é uma extraordinária demonstração de engenharia. Mas uma máquina capaz de trabalhar durante horas, transportar materiais, combater incêndios, reconhecer um problema, decidir o que fazer e adaptar-se a uma situação imprevista terá um impacto económico muito maior. É essa passagem da demonstração tecnológica para a aplicação industrial e quotidiana que está no centro da aposta chinesa na robótica humanoide, segundo a Reuters.
Foi essa a mensagem mais importante dos Jogos de Pequim. Os robôs já vencem os humanos em algumas capacidades físicas muito específicas. Ainda não conseguem, porém, fazer aquilo em que os humanos continuam particularmente bons: adaptar-se ao inesperado. Além disso, a sensibilidade das mãos humanas para determinadas tarefas ainda é imbatível.
Bolt perdeu para uma máquina, mas os humanos continuam a ganhar a prova que verdadeiramente interessa: perceber o que fazer quando as regras mudam. E essa, ao contrário dos 100 metros, ainda não tem recorde mundial. Os robôs já conseguem saltar e correr como os campeões olímpicos, agora falta saber se conseguem trabalhar como os humanos.

Notícias relacionadas

Tecnologia

TrainTracker24: Este mapa quer trazer informação sobre os comboios em tempo real para toda a Europa

O TrainTracker24 foi lançado na sua versão final ontem, oferecendo informação em tempo real sobre comboios em França, Espanha e Bélgica. A plataforma, que se apresenta como um mapa interativo, tem como objetivo expandir gradualmente para cobrir toda a Europa e, posteriormente, o mundo inteiro.

SAPO Tek28/08/26, 08:59
Tetra Pak lança primeiro biorreator industrial
Tecnologia

Tetra Pak lança primeiro biorreator industrial

A Tetra Pak anunciou o lançamento do Tetra Pak Bioreactor RF, seu primeiro biorreator industrial, desenvolvido para tornar a fermentação industrial mais estável e escalável. O equipamento visa reduzir riscos operacionais, acelerar a fase de arranque dos processos e simplificar a operação nas indústrias de alimentos e bebidas.

SAPO Notícias28/08/26, 08:43
Os 70% que a inteligência artificial não substitui
Tecnologia

Os 70% que a inteligência artificial não substitui

Este artigo de opinião aborda as competências humanas que a inteligência artificial não consegue substituir no ambiente de trabalho. Denise Fernandes, Gestora de Aprendizagem e Desenvolvimento da Sky Portugal, explora os 70% das habilidades que permanecem exclusivamente humanas, enfatizando a importância irreplaceable de competências como pensamento crítico, criatividade, inteligência emocional e tomada de decisão complexa. A autora argumenta que, apesar dos avanços da IA, o fator humano continua essencial nas organizações, particularmente em áreas que requerem empatia, liderança e resolução de problemas nuancedados.

SAPO Notícias28/08/26, 08:41
Tecnologia

O Tiktok finalmente paga por seus abusos: o ECA Digital mostra a que veio

A ANPD multou a ByteDance, dona do TikTok, em R$ 153 milhões por violações ao ECA Digital, lei de proteção de crianças e adolescentes na internet. A fiscalização identificou coleta irregular de dados de menores, tanto em acessos sem cadastro quanto em contas registradas formalmente, permitindo que crianças assistam a vídeos mesmo sem conta. A agência também determinou o descarte dos dados coletados irregularmente, representando um passo fundamental para a segurança infantil no ambiente digital.

oglobo28/08/26, 08:30