Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendem nos bastidores que o governo aja com cautela na reação à decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar Andrei Rodrigues do cargo de diretorgeral da Polícia Federal. A orientação é para evitar qualquer reação que possa parecer um alinhamento de Lula ao ministro Alexandre de Moraes.
A preocupação dos interlocutores do presidente é que uma resposta fora do tom pode sugerir que Lula está ao lado de Moraes, que é próximo de Andrei Rodrigues e adversário de Mendonça na Corte. Essa associação poderia ter reflexo eleitoral direto ao petista, uma vez que Moraes enfrenta suspeitas quanto à sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Outra avaliação feita nos bastidores é que uma reação muito forte, com declarações e ataques, pode transformar Mendonça em vítima, beneficiando o ministro do STF. Por isso, a estratégia adotada foi usar um órgão institucional para marcar posição, sem confronto direto.
Na terça-feira, a Advocacia Geral da União (AGU) apresentou recurso ao presidente do STF, Edson Fachin, pedindo a suspensão do afastamento do diretorgeral da PF. O órgão argumenta que a medida interfere em uma atribuição do presidente da República e pode prejudicar o funcionamento da instituição.




