O ministro da Administração Interna, Luís Neves, defendeu-se durante uma audiência regimental na Assembleia da República das polêmicas que o têm atingido nos últimos dois meses, afirmando estar "absolutamente tranquilo" e não se sentir "minimamente afetado" pela situação. Respondeu a deputados do PS e do Chega, garantindo que continuará em funções enquanto tiver a confiança do primeiro-Ministro. "Não vou pôr o cargo à disposição", afirmou.
Luís Neves esclareceu os procedimentos relativos ao reboque apreendido na Operação Pacoba e ao automóvel apreendido no processo judicial de tráfico de droga ligado a 'Xuxas'. Sobre o orçamento de 144 mil euros para destruição dos produtos químicos, afirmou que foi o valor apresentado por uma empresa. Relativamente ao veículo de Xuxas, disse ter declarado utilidade operacional para mais de 800 viaturas. Sobre o reboque, admitiu que só soube pela comunicação social que a PJ o recolheu no dia seguinte à notícia.
O líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, questionou repetidamente a permanência do ministro no Governo, mas Luís Neves recusou-se a sair. O ministro fez ainda "mea culpa" sobre a declaração de rendimentos, referindo dois lapsos corrigidos: um sobre um carro que devia ter declarado e outro sobre uma empresa que não tinha ainda realizado qualquer negócio.
Luís Neves anunciou que a PSP apresentou um plano de reorganização em Lisboa, Porto e Setúbal, que poderá liberar cerca de 500 policiais para funções operacionais e de patrulhamento. As negociações com os sindicatos das forças de segurança serão retomadas ainda este mês, assim como a publicação do despacho sobre os policiais que vão para a pré-reforma.




