O mercado de investimento imobiliário fechou o segundo trimestre com 462 milhões de euros transacionados, elevando o total do primeiro semestre para 1,4 bilhão de euros, 11% acima do registrado no mesmo período de 2025. O total investido no trimestre foi, no entanto, inferior a 500 milhões de euros, quase metade do registrado no primeiro trimestre e 18% abaixo do período homólogo, o que traduz a incerteza geopolítica e uma abordagem mais seletiva dos investidores. O capital internacional representou 76% do volume investido e as estratégias core e core plus continuaram a dominar a atividade, concentrando mais de 80% do total investido neste ano.
A hotelaria se manteve como o segmento mais ativo, concentrando 36% do investimento no trimestre, com o volume acumulado no primeiro semestre já superando os totais anuais registrados em 2024 e 2025. O Industrial & Logistics ocupou o segundo lugar entre os setores que mais atraíram capital, enquanto os escritórios ressentiram-se com um volume total de investimento residual, com apenas três transações inferiores a 10 milhões de euros, refletindo o atual processo de price discovery neste segmento.
Os dados revelam uma tendência transversal: o mercado está se tornando cada vez mais seletivo. A liquidez voltou a ganhar terreno, mas de forma muito mais seletiva, com o foco passando da quantidade de capital disponível para a qualidade dos ativos capazes de atraí-lo. Os investidores continuam ativos, mas mais disciplinados na análise do risco, privilegiando ativos com fundamentos sólidos, rendimentos previsíveis e potencial de criação de valor, o que aumenta a polarização entre ativos prime e secondary.
No mercado residencial, a demanda se mantém ativa, mas os compradores estão mais criteriosos em relação à localização, qualidade do produto, previsibilidade dos prazos de entrega e potencial de valorização. A oferta continua crescendo a um ritmo insuficiente: apesar do aumento estimado de 3% no número de unidades licenciadas e concluídas no primeiro semestre, mantém-se uma relação de apenas uma casa concluída para cada seis vendidas, o que mantém a pressão ascendente nos preços.




