O artigo aborda o impacto da inteligência artificial na indústria e profissão informática, recorrendo à perspectiva de Pedro Samorrinha, alumnus do Instituto Superior Técnico com cerca de vinte anos de carreira em Engenharia Informática, atualmente com responsabilidades na liderança técnica de equipas, arquitetura de sistemas e condução do ciclo de desenvolvimento de software.
Samorrinha considera que o cenário frequentemente descrito na comunicação sobre IA — em que um responsável técnico chega de manhã, verifica o trabalho produzido durante a noite por agentes, corrige erros e atribui novas tarefas — não corresponde à sua realidade atual, embora possa vir a ser. Prefere ciclos mais curtos de validação e sublinha que esta forma de produzir software só será verdadeiramente produtiva se assentar numa metodologia de desenvolvimento rigorosa, com engenharia de requisitos precisa, bom planeamento e capacidade de teste.
A equipa de Samorrinha evitou deliberadamente o chamado "vibe-coding", optando por manter um processo clássico de desenvolvimento agora "agentificado", com etapas verificáveis e validação humana em cada ciclo. A metodologia é considerada o ponto crítico: através de especificações bem definidas e verificação humana em cada etapa, reduz-se o espaço para alucinações e resultados inesperados. Apesar dos riscos, a qualidade do que os agentes produzem melhorou significativamente nos últimos meses, e os dados recolhidos pela equipa apontam para melhorias de produtividade de 30% ou mais.
O artigo conclui que, se o código se tornou mais fácil de produzir, a engenharia de software — a disciplina de decidir bem o que construir e verificar se foi bem construído — é hoje ainda mais crítica. A formação dos engenheiros mais jovens também está a mudar: o centro de gravidade desloca-se para a especificação funcional e técnica, onde a experiência dos seniores tem maior valor. Um júnior que acompanhe processos rigorosos de especificação e validação desde o início pode aprender mais depressa do que aprendia através da prática tradicional de programação.




