O ministro da Administração Interna, Luís Neves, foi ouvido na Assembleia da República a poucas horas da discussão e votação de uma moção de censura apresentada pelo Chega. No Parlamento, foram colocadas questões relacionadas com o seu percurso anterior na direção da Polícia Judiciária, incluindo matérias que são objeto de escrutínio e que suscitaram dúvidas, dando origem a processos e procedimentos sobre bens apreendidos na Operação Pacoba, contratos, obras e procedimentos de contratação pública.
Luís Neves recusou-se a exonerar-se, afirmou que não colocará o cargo à disposição e declarou estar confortável com o seu percurso. O ministro rejeitou que as decisões tomadas sob a sua responsabilidade tenham procurado favorecer terceiros, proporcionar enriquecimento pessoal ou lesar o Estado. O artigo sublinha que uma investigação não é uma condenação e que Luís Neves tem direito à presunção de inocência, mas nota também que a presunção de inocência não significa ausência de escrutínio para um titular de um cargo público.
O Governo decidiu manter Luís Neves no cargo, com o Primeiro-Ministro Luís Montenegro a conservar a sua confiança no ministro. O Chega considera que o desgaste acumulado retirou ao ministro a autoridade necessária para continuar, enquanto a Iniciativa Liberal também criticou a sua permanência, embora não apoie a estratégia do Chega de provocar uma crise governativa. O Partido Socialista anunciou a abstenção e a moção de censura deverá ser rejeitada.
O editorial, da autoria de Fernando Jesus Pires, diretor do jornal OREGIÕES, defende que a votação não resolve o problema, que a estabilidade parlamentar não é sinônimo de tranquilidade política, e que o verdadeiro desafio passa por esclarecimentos, transparência e respeito pelos resultados das investigações em curso. O artigo apela a que sejam distinguidos os papéis da Justiça, do Parlamento e da comunicação social, sem condenações antecipadas nem silenciamento de perguntas legítimas.




