Álvaro Santos Pereira, governador do Banco de Portugal e ex-diretor do Ministério da Economia e do Emprego, alertou para o impacto da Inteligência Artificial no ensino, sublinhando que as tendências recentes devem gerar preocupação e levar os responsáveis pelas políticas públicas a adotar medidas. Esse aviso foi feito por meio de uma publicação no LinkedIn, no dia em que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) lançou a edição deste ano do PISA.
Os resultados do PISA mostram que o desempenho dos alunos, incluindo os portugueses, voltou a se deteriorar, especialmente em Matemática e Leitura. A maior queda de desempenho ocorreu em Leitura, o que Santos Pereira comenta não sendo particularmente surpreendente, considerando que as "distrações digitais" se tornaram onipresentes. O desempenho já estava em queda antes da pandemia e da difusão da IA, o que mostra que há problemas estruturais a serem resolvidos.
Em Portugal, em Matemática e Leitura, a média dos alunos já está abaixo do observado no início do milênio, tendo sido revertidos os ganhos acumulados nas últimas duas décadas. Em Ciências, a queda foi menos acentuada, mas é preciso recuar até 2006 para encontrar um resultado pior. Portugal não está sozinho, pois o desempenho dos estudantes nos vários países da OCDE voltou a piorar e atingiu os níveis mais baixos já registrados em Matemática e Leitura, com um em cada cinco alunos de 15 anos apresentando baixo desempenho nas três áreas.
Santos Pereira reconhece que essas tendências não são uma novidade, mas adverte que, se nada for feito, a tecnologia provavelmente as reforçará. "Os próximos anos serão cruciais para reverter essas tendências preocupantes", salientou o economista, destacando que o desafio para os responsáveis pelas políticas públicas não consiste simplesmente em recuperar o terreno perdido, mas em garantir que as escolas atendam às exigências de um mundo em rápida transformação.




