Quase metade (48%) dos alunos portugueses de 15 anos usam ferramentas de Inteligência Artificial para estudar e fazer trabalhos, um valor ligeiramente acima da média da OCDE de 46%. Esta é uma das conclusões da nova edição do PISA (Programme for International Student Assessment), o maior estudo internacional sobre educação, que envolveu mais de 760 mil alunos de 91 países, incluindo quase sete mil portugueses.
O estudo revela ainda que 31% dos estudantes portugueses dizem que os colegas se distraem frequentemente com dispositivos digitais nas aulas de Ciências, acima da média da OCDE de 28%. Os alunos passam em média uma hora e 24 minutos por dia na escola usando dispositivos para aprender, abaixo da média da OCDE de uma hora e 42 minutos, mas mais tempo em frente às telas para lazer (1,2 horas contra 1,1 hora da OCDE).
Os pesquisadores alertam que os estudantes que se distraem com as telas têm desempenhos acadêmicos piores e que a IA deve ser usada de forma direcionada para feedback e prática personalizada, complementando a aprendizagem ativa. No entanto, 57% dos alunos portugueses dizem avaliar a qualidade da informação produzida por IA, mais do que a média da OCDE de 53%.
O estudo mostra que os alunos portugueses tiveram os piores desempenhos dos últimos 20 anos no PISA, com a Leitura registrando o pior resultado desde que Portugal começou a participar em 2000. O Secretário de Estado Alexandre Homem Cristo descartou, por enquanto, estender a proibição do uso de celulares nas escolas ao ensino médio, mas disse estar aberto a rever o enquadramento se a evidência o justificar.
