O reitor do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego, padre João António Teixeira, descreveu as festividades em honra da padroeira como "uma espécie de tsunami mariano", considerando a experiência "avassaladora em número e em intensidade". O sacerdote sublinhou que a relação com Nossa Senhora está "na alma do povo" e que não existem "segmentações classistas", verificando-se uma unidade em torno da mãe ao longo dos dias da novena e da festa.
O responsável destacou que, apesar do destaque midiático da Procissão do Triunfo, verifica-se uma "crescente procura da espiritualidade, ou seja, da escuta, do silêncio, da vivência quotidiana da fé", referindo que o número de fiéis que procura atendimento espiritual "aumentou exponencialmente" após a pandemia. O padre João António Teixeira notou ainda que existem "situações que não são visíveis e que não são reproduzíveis" nas habituais reportagens televisivas.
Relativamente ao perfil de quem percorre os mais de 600 degraus do escadório, o reitor apontou para uma "grande variedade", explicando que "há quem o faça em espírito de oração, até em comunidade, famílias". O sacerdote observou um processo de transformação interior onde "o turista se transforma em peregrino", salientando que "o turista apenas passa ao passo que o peregrino, além de passar, para".
O Santuário de Nossa Senhora dos Remédios tem recebido devotos de diferentes latitudes, incluindo pessoas de Espanha, França, Itália, norte da Europa, América Latina e até da Ásia, como de Taiwan. As festividades em honra do nascimento de Nossa Senhora dos Remédios celebram-se anualmente entre agosto e 8 de setembro, data que coincide com o dia da padroeira. A imagem original da Virgem com o Menino ao peito data do século XV, e o atual santuário começou a ser construído em 1750, depois da Capela de Santo Estêvão, de 1361, e da primeira Capela de Nossa Senhora dos Remédios, de 1565.




