Portugal é um país bonito, seguro e acolhedor, admirado internacionalmente pelo sol, mar, gastronomia e hospitalidade, mas enfrenta sérias dificuldades para quem nele vive e trabalha. João Paulo Rocha, Primeiro-Secretário da Federação das Associações da Diáspora (FAD), escreveu uma opinião alertando que uma geração que estudou e trabalhou corretamente enfrenta salários insuficientes para comprar ou alugar casa, permanecendo na casa dos pais até mais tarde. Em 2024, mais de 33 mil pessoas emigraram permanentemente de Portugal, das quais cerca de 28 mil eram portuguesas, e o país continua a envelhecer, com cerca de 189 idosos a cada 100 jovens em 2025.
O autor destaca que Portugal precisa de imigração, mas também deve se perguntar por que tantos portugueses continuam a partir. Os serviços públicos de saúde, justiça, educação e moradia permanecem sob pressão, apesar de o Estado arrecadar mais receita do que há dez anos. Os portugueses enfrentam dificuldades em conseguir consultas, médicos de família, cirurgias e acesso a asilos para idosos, enquanto a educação sofre com falta de docentes e condições de trabalho difíceis.
O texto menciona que problemas como moradia, demografia, justiça lenta, saúde e educação atravessam diferentes governos sem resolução, sugerindo a necessidade de políticas que durem mais do que uma legislativa. O autor critica uma cultura política focada mais em anúncios e inaugurações do que em resolver problemas reais, e questiona a confiança nas instituições quando existem diferentes velocidades de resposta conforme o poder econômico, político ou midiático.
Rocha conclui que o verdadeiro sucesso de Portugal não pode ser medido apenas por quem chega como turistas ou imigrantes, mas também por quem fica: a família que consegue comprar casa, o jovem que decide ter filhos, o emigrante que regressa, o idoso




