Limpeza do cérebro pode estar ligada ao Alzheimer e ELAFoto de jarmoluk no Pexels
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Limpeza do cérebro pode estar ligada ao Alzheimer e ELA

oRegiões8 de setembro de 2026 às 09:15

Pesquisadores da Universidade de Barcelona identificaram acumulações anormais de resíduos em tecidos de pacientes com Alzheimer, esclerose lateral amiotrófica (ELA) e degeneração lobar frontotemporal, segundo um estudo publicado na Acta Neuropathologica Communications. A análise anatomopatológica de tecidos coletados de 185 doadores post-mortem revelou uma elevada concentração de wasteosomes — corpos amiláceos que agregam detritos metabólicos — precisamente nas imediações das vias de escoamento de fluidos. A descoberta aponta para um déficit prolongado no sistema glinfático, a estrutura biológica encarregada de filtrar e evacuar agregados perigosos como a proteína beta-amiloide e a proteína tau.

Apesar da relevância dos dados, especialistas independentes alertam que a constatação não prova um nexo de causalidade direta. O neurologista português Miguel Seabra sublinha que diferentes doenças neurodegenerativas podem compartilhar alterações nos mecanismos de eliminação de resíduos, mas que ainda não é possível determinar se uma menor eficiência do sistema glinfático contribui para o aparecimento da doença ou se é uma consequência da própria neurodegeneração.

A investigação internacional tem associado o repouso noturno à ativação do mecanismo depurativo cerebral, com maior circulação do líquido cefalorraquidiano durante o sono profundo. Contudo, Miguel Seabra rejeita leituras simplistas, afirmando que seria errado dizer que dormir melhor previne o Alzheimer, uma vez que a evidência ainda não permite essa conclusão.

Em Portugal, o Laboratório de Neuroquímica da Universidade de Coimbra conduz pesquisas sobre biomarcadores no líquido cefalorraquidiano e no sangue para diagnóstico precoce, enquanto a instituição, sob liderança de Nuno Apóstolo, estuda o papel da proteína IgLON5 com recurso a inteligência artificial. A Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e a Unidade de Memória do Hospital CUF Porto mantêm ensaios focados em marcadores hematológicos.

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