Nascida na Albânia de Estaline e espetadora de um regime em ruínas: Um relato épico sobre o custo da liberdade | Por Mário Beja SantosFoto de 5075933 no Pexels
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Nascida na Albânia de Estaline e espetadora de um regime em ruínas: Um relato épico sobre o custo da liberdade | Por Mário Beja Santos

Postal do Algarve8 de setembro de 2026 às 07:30

O livro "Livre, Como Me Tornei Adulta No Fim da História", de Lea Ypi, publicado pela Casa das Letras em 2024, é uma obra autobiográfica que narra a infância e adolescência da autora na Albânia sob o regime socialista. Tudo começa quando Lea, aos onze anos, presencia estudantes a decapitar uma estátua de Estaline num jardim perto do Palácio da Cultura, naquele momento em que o regime entra em convulsão. A menina, educada a acreditar que o socialismo garantia a liberdade, questiona-se sobre o que realmente significa ser livre.

A avó de Lea Ypi ocupa um espaço central na narrativa. Nascida em 1918, sobrinha de um paxá, foi a única garota do Liceu Francês de Salônica aos 13 anos, tornou-se conselheira do Primeiro-Ministro albanês aos 20 anos e casou aos 23 anos. O avô, socialista mas não revolucionário, foi preso e condenado à forca, posteriormente comutada para prisão perpétua. Muitos dos seus parentes foram executados ou cometeram suicídio, dividindo-se os sobreviventes entre o manicômio, o exílio e a prisão.

A partir de 1990, após o Muro de Berlim, a Albânia se tornou oficialmente um Estado multipartidário. A transição trouxe caos econômico, falências em cadeia, os chamados empréstimos piramidais e multidões em fuga através do Adriático. A família de Lea se fragmentou: a mãe partiu para Itália, o pai teve uma experiência política malograda. Lea decidiu estudar Filosofia em Roma, seguindo depois para a London School of Economics.

A obra explora o custo da liberdade e as promessas não cumpridas que a acompanharam. Lea equaciona que o socialismo significou a negação do que as pessoas quiseram ser, enquanto o liberalismo trouxe a destruição da solidariedade e o direito de herdar privilégios. A autora escreveu a sua história para explicar, reconciliar e continuar a luta contra o cinismo e a apatia política, considerando-a uma dívida para com todos os que sacrificaram tudo o que tinham.

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