O Governo de Giorgia Meloni cumpre hoje 1.417 dias consecutivos no poder, fixando um recorde histórico de longevidade na história da República Italiana e ultrapassando a marca do segundo executivo de Silvio Berlusconi. A primeira-ministra celebrou a efeméride num comício em Bari, organizado pelo partido Fratelli d'Italia, onde eram esperados cerca de 10 mil apoiantes, em paralelo com manifestações de protesto convocadas por associações civis sob vigilância policial.
Meloni, empossada a 22 de outubro de 2022, tornou-se a primeira mulher a chefiar um executivo italiano e a governante com mandato contínuo mais extenso desde o pós-guerra. O executivo apresentou um relatório titulado "Mais estabilidade para uma Itália mais forte", destacando a criação de mais de um milhão de postos de trabalho, uma taxa de desemprego de 5,8%, mínimos históricos no desemprego jovem e uma descida de 16% na criminalidade geral face a 2014.
A celebração revelou fissuras na coligação de direita. Antonio Tajani, vice-primeiro-ministro e líder do Forza Italia, e Matteo Salvini, líder da Liga, recusaram deslocar-se fisicamente a Bari, intervindo apenas por videoconferência. O desagrado na Liga intensifica-se com a fuga de votos para o movimento do general Roberto Vannacci, num contexto de desgaste sobre o apoio militar à Ucrânia.
Do lado da oposição, Elly Schlein, do Partido Democrático, classificou os quatro anos como "desperdiçados", enquanto Giuseppe Conte, do Movimento 5 Estrelas, denunciou a ausência de soluções para os salários estagnados. O Financial Times apontou que a estabilidade não se traduziu em reformas estruturais profundas na economia, na administração pública ou na proteção social. As próximas eleições gerais permanecem agendadas para 2027, embora o parlamento pondere a antecipação do calendário eleitoral.




