A direita tradicional sempre defendeu o capitalismo como sua ideologia central, mas essa posição está mudando. A extrema-direita descobriu uma nova estratégia que lhe permite criticar o capitalismo sem efetivamente abandonar seus princípios fundamentais. O que está em jogo já não é a velha dicotomia entre Estado e mercado, entre intervenção estatal e livre iniciativa. Essa escolha binária pertence a um debate político antigo que a extrema-direita contemporânea considera ultrapassado. A verdadeira questão que a extrema-direita coloca agora é diferente: trata-se de saber quem controla o Estado e para quem funciona o mercado. Ou seja, em vez de rejeitar o capitalismo, o que importa é determinar quem se beneficia do sistema econômico existente. Essa abordagem permite à extrema-direita se apresentar como crítica do sistema sem alterar sua essência capitalista, combinando retórica anti-establishment com políticas favoráveis ao mercado, desde que este sirva aos seus interesses e aos de seus apoiantes.

Política
O capitalismo já não é a língua da direita
Expresso8 de setembro de 2026 às 07:00
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