O presidente do Conselho Europeu, António Costa, está a tentar salvar 33,5 mil milhões de euros para Portugal no Orçamento da União Europeia para o período de 2028-2034. A Comissão Europeia, liderada por Ursula von der Leyen, propôs um orçamento de cerca de dois biliões de euros, o que representa um aumento de cerca de 60 por cento face aos atuais 1,2 biliões. Costa já iniciou uma ronda diplomática pelas capitais para desbloquear o acordo, enfrentando a oposição formal de um bloco de seis Estados-membros.
O grupo de países que resiste ao orçamento inclui a Alemanha, Áustria, Dinamarca, Finlândia, Países Baixos e Suécia. O líder alemão Friedrich Merz reuniu-se em Berlim com homólogos destes países para travar a pretensão de Bruxelas, classificando os montantes como "simplesmente impagáveis". Este grupo assegura 40 por cento das receitas comunitárias e 70 por cento da assistência bilateral canalizada para Kiev, exigindo cortes transversais de várias centenas de milhares de milhões de euros e recusando a emissão de dívida comum ou o aumento dos quadros de funcionários das instituições comunitárias.
António Costa alertou os governos de que rejeitar novos recursos próprios não evitará sacrifícios orçamentais, pois sem taxas cobradas à escala da União, as transferências diretas dos orçamentos nacionais terão inevitavelmente de subir. O roteiro de contactos de Costa já incluiu passagens por Praga, onde Andrej Babiš advertiu que as novas contas não podem penalizar regiões industriais vulneráveis nem implicar cortes na coesão ou na agricultura. O périplo tem paragem marcada em Madrid a 10 de setembro para consultas com Pedro Sánchez, antes de concluir a 17 de setembro.
O calendário prevê que a Presidência irlandesa do Conselho apresente os primeiros números operacionais na cimeira de outubro, com um eventual Conselho extraordinário em novembro e uma cimeira crucial para 17 de dezembro. Costa lembrou as longas negociações de 2020, que duraram 90 horas e 20 minutos para fechar o pacote de 1,8 biliões, apelando ao sentido de compromisso dos líderes para viabilizar o futuro orçamento europeu antes do período natalício.




