O Governo português pretende valorizar os cursos técnicos superiores profissionais (CTeSP), que após uma década de existência enfrentam problemas significativos de atratividade, empregabilidade e salários baixos. O estudo "CTESP — Avaliação de uma Década de Cursos Técnicos Superiores Profissionais", apresentado pelo Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior (CIPES), diagnosticou que os principais desafios passam pelo financiamento, empregabilidade e reconhecimento pelo Estado e pelas carreiras da administração pública. O ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, reconheceu estes problemas e anunciou que o Executivo vai permitir às instituições maior flexibilidade estratégica para ajustar a oferta formativa às necessidades das empresas e das regiões.
Os CTeSP atingiram numa década o peso de 13% dos novos inscritos no ensino superior, mas ao crescimento da oferta não correspondeu um crescimento da procura. A taxa de ocupação das vagas permaneceu apenas ligeiramente acima de metade da capacidade disponível, e a taxa de conclusão dos cursos revela uma evolução desfavorável, com o abandono ao final do primeiro ano a aumentar de 19% para 29% entre 2015/16 e 2022/23. Mais de metade dos diplomados prossegue depois para uma licenciatura, geralmente dentro da mesma instituição e área de formação, o que indica que estes percursos estão frequentemente já planeados antes do ingresso.
Os cursos terão agora uma avaliação formal para se tornarem "uma oferta estruturante" do ensino superior, com financiamento ligado às regiões e maior participação das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, municípios e empresas. A integração dos diplomados nas carreiras da administração pública só avançará após a pretendida avaliação. Em 2023, os diplomados destes cursos apresentavam uma remuneração média mensal inferior à dos licenciados e bacharéis, concentrando-se em empresas de menor dimensão e com maior peso de contratos a termo.
O estudo recomenda que os CTeSP passem a ter acreditação pela A3ES, que seja criada uma base de dados nacional com todos os cursos disponíveis, e que seja aumentada a oferta em horário pós-laboral, que atualmente agrega apenas 12% dos inscritos. Os autores defendem ainda mais docentes especialistas, contrariando a predominância de docentes de perfil académico, que representam 80% nestes cursos.




