O presidente da EDP, Miguel Stilwell d'Andrade, alertou que Portugal e Espanha têm vantagens competitivas para atrair centros de dados, incluindo elevada penetração de energia renovável barata, capacidade de conectividade por fibra e terreno disponível, mas arriscam perder esses investimentos para outros países concorrentes. O gestor defendeu que os dois países devem definir claramente e com antecedência as condições para atrair investimento, estabelecer exigências energéticas e ambientais, garantir emprego qualificado, receitas fiscais e regras estáveis para os investidores.
A regulamentação dos dois países está em momentos diferentes. Portugal aprovou neste ano o Plano Nacional de Centros de Dados (PNCD), que visa acelerar o investimento através da identificação de terrenos com planejamento aprovado e ligações à rede elétrica. Na Espanha, uma consulta pública em curso propõe regras mais rigorosas, incluindo a obrigação de consumo de energia renovável em 80% hora a hora e a transformação para verde de cada megawatt consumido num prazo de 18 meses.
As novas regras espanholas estão gerando fortes críticas do setor. A associação SpainDC teme um impacto negativo entre 53,6 bilhões e 60,3 bilhões de euros, com a redução do investimento direto e indireto entre 80% e 90%. Investidores na Espanha ameaçam transferir projetos para Portugal, que é considerado o destino preferido devido ao acesso a eletricidade renovável, preços competitivos, boas ligações de telecomunicações e condições regulatórias mais favoráveis.
O setor dos centros de dados pode acrescentar 26 bilhões de euros ao PIB português até 2030, segundo um estudo da Copenhagen Economics. A Microsoft já anunciou um investimento de 8,6 bilhões de euros em Sines para instalar 12 mil chips da Nvidia no projeto Start Campus, que prevê uma capacidade de 1,2 gigas. Stilwell d'Andrade alertou que a Europa está atrás da China e dos EUA em capacidade de centros de dados, que são cruciais para a inteligência artificial e infraestrutura em nuvem, questionando se o continente quer repetir a dependência que teve no setor energético.




