O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS-FNAM) denunciou que apenas uma médica hematologista estará a assegurar a resposta da especialidade no Algarve e no Baixo Alentejo, exercendo em regime de prestação de serviços, sem contrato de trabalho, sujeita a sobrecarga e pressão insustentáveis. Segundo o sindicato, nas regiões NUTS II do Alentejo e Algarve existem apenas duas hematologistas em atividade, uma em Évora e outra que trabalha entre Portimão e Beja, deslocando-se ao Hospital de Portimão e ao Hospital José Joaquim Fernandes.
A Unidade Local de Saúde do Algarve contestou esta versão através do seu presidente Tiago Botelho, considerando "absolutamente falsa" a afirmação de que existe apenas uma hematologista na região. Tiago Botelho indicou que existem quatro hematologistas em prestação de serviços, uma das quais atualmente ausente por gravidez, salientando que as vagas para concursos médicos são decididas centralmente e não pela ULS.
Em julho, o Governo abriu duas vagas de Hematologia para o Algarve, nenhuma classificada como carenciada. Duas das médicas prestadoras de serviços concorreram a essas vagas, o que pode permitir a sua vinculação em breve. A ULS Algarve pediu ainda ao Ministério da Saúde que duas vagas carenciadas de outras especialidades, previstas como não preenchidas, sejam transferidas para Hematologia.
O SMZS-FNAM anunciou que vai denunciar a situação à Ordem dos Médicos e à Direção Executiva do SNS e solicitar uma reunião com o Conselho de Administração da ULS Algarve. A ULSBA de Beja confirmou que conta apenas com a médica vinda do Algarve e está a negociar mais horas de consulta, além de trabalhar num protocolo com o IPO de Lisboa. A ULSAC de Évora esclareceu que dispõe de uma hematologista e, desde março, de três médicos deslocados duas vezes por mês de outras instituições.




