Mischa Gurov é um informático russo que vive em Zurique, na Suíça, e que passou a fazer a nado os últimos 1,35 quilómetros do percurso para o trabalho através do canal Schanzengraben, quando o tempo permite. Embora continue a utilizar os transportes públicos para chegar ao centro da cidade, esta rotina permitiu-lhe evitar os comboios cheios. À data da inúmerea, tinha acumulado mais de 60 quilómetros a nado naquele ano.
Esta rotina aquática levou Mischa a prestar mais atenção ao lixo acumulado junto ao antigo fosso da cidade. Numa recolha feita no início do verão, juntou mais de 500 beatas em cerca de 30 minutos, ao longo de um troço de apenas 30 metros. Além das beatas recolhidas nas margens, o informático retira da água objetos maiores sempre que consegue alcançá-los em segurança, tendo já recolhido mais de 500 beatas num curto troço.
A preocupação de Mischa com a poluição aquática vem de Londres, onde viveu antes de se mudar para a Suíça. Em 2018, lançou uma petição contra o lixo no Richmond Park e no rio Tamisa. Na Suíça, defende coimas mais elevadas para quem abandona resíduos, considerando que devem desencorajar estes comportamentos. Segundo a publicação, mais de 6.000 milhões de beatas são descartadas anualmente no ambiente na Suíça e as substâncias que libertam na água podem ser letais para os peixes.
Com uma câmara subaquática, Mischa conseguiu documentar a vida aquática do canal, incluindo uma truta-marrom, identificada com a ajuda da entidade municipal Entsorgung + Recycling Zürich. Estas trutas precisam de água limpa, fresca e rica em oxigénio para sobreviver. Para Mischa, as imagens revelaram um pequeno ecossistema urbano surpreendentemente rico, num espaço rodeado por escritórios e transportes. Por ocasião do Dia Nacional de Limpeza, a 18 e 19 de setembro, planeia percorrer todo o Schanzengraben a nado com um capacete adornado com 1.000 beatas usadas e um sino suíço para chamar a atenção para a poluição que ameaça os peixes.




