A líder do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), Alice Weidel, exigiu no domingo, dia 6 de setembro, que o chanceler alemão, Friedrich Merz, convoque imediatamente eleições legislativas antecipadas para ser substituído "antes do Natal". Esta exigência surgiu na sequência da vitória histórica do seu partido nas eleições regionais no estado federado da Saxónia-Anhalt, no leste da Alemanha, onde a AfD alcançou quase 44% dos votos, muito à frente da CDU de Merz, que obteve apenas 17,5%.
Weidel considerou este resultado um "mandato claro para governar" e afirmou que o seu partido também pretende governar a nível federal, esperando alcançar 40% de apoio a nível nacional. A líder da AfD apontou o dedo à classe política alemã, argumentando que "as pessoas estão fartas de a política ser feita contra os interesses da Alemanha", e enumerou medidas do seu programa, incluindo o controlo das fronteiras e a deportação de estrangeiros e criminosos. Weidel responsabilizou a ex-chanceler Angela Merkel e o atual líder do Governo federal pela situação do país, augurando que o apoio à CDU descerá em breve para menos de 20%.
O colíder da AfD, Tino Chrupalla, afirmou que "2029 será um ano eleitoral decisivo" e que será "o segundo ponto de viragem" para o país, salientando que Merz foi o melhor trunfo da campanha eleitoral do seu partido. Na Saxónia-Anhalt, a extrema-direita conquistou 39 lugares no parlamento regional, menos três do que a maioria absoluta, necessitando agora de negociar com outros partidos, como a CDU ou o movimento de esquerda pró-Rússia BSW, que obteve quatro assentos e está aberto a negociar. Nenhuma região alemã foi governada pela extrema-direita desde 1945.
Em matéria de política externa, Weidel defendeu uma abordagem diplomática, afirmando que a Alemanha deveria ter desempenhado um papel de mediação na questão da Ucrânia, mantendo um canal aberto com a Rússia para alcançar uma solução pacífica. A líder da AfD declarou ainda que a Alemanha precisa de "boas relações não só com a Rússia, mas sobretudo com os Estados Unidos", criticando a posição que classificou como de "belicistas retóricos" que o país tem atualmente assumido.




