
Uma das maiores exportadoras nacionais está de olhos postos no crescimento. A Autoeuropa está a avançar para o futuro enquanto a Volkswagen ainda está presa ao passado.
O grupo alemão anunciou o despedimento de mais 50 mil trabalhadores até 2030 na semana passada para um total de 100 mil.
Enquanto isso, a fábrica de Palmela da marca alemã arrancou com a produção do novo T-Roc 100% híbrido elétrico, o que vai permitir conduzir exclusivamente em modo elétrico até uma certa velocidade, ajudando a poupar combustível. E continua a preparar o arranque da produção do ID.1, citadino 100% elétrico low cost.
“Iniciámos a produção do novo T-Roc Hybrid, assinalando mais um marco na transformação da fábrica e reforçando a sua capacidade para responder à evolução da mobilidade”, anunciou a fábrica no final da semana passada.
“Este é um novo capítulo na história de sucesso do T-Roc, que começámos a produzir em 2017. O momento reflete a capacidade de adaptação, inovação e colaboração das nossas equipas na construção de uma fábrica preparada para o futuro e para diferentes tecnologias de mobilidade”, segundo a Autoeuropa liderada pela espanhola Anabel Andión Lomero, a primeira mulher a assumir o cargo de diretora da fábrica de Palmela.
Durante o verão a fábrica não parou. Entre julho e agosto, foram concretizados mais de 300 projetos nas áreas de Montagem, Carroçarias, Pintura, Prensas, Logística, Infraestruturas, Qualidade, Segurança e Saúde, com mais de 1.200 pessoas envolvidas por dia, segundo a empresa.
“A transformação vai muito além das infraestruturas. Significa criar as condições para receber o nosso primeiro veículo totalmente elétrico, enquanto evoluímos tecnologicamente, reforçamos a sustentabilidade do processo produtivo, desenvolvemos novas competências e criamos formas de trabalhar”, de acordo com a Autoeuropa.
A produtividade da fábrica portuguesa da Volkswagen é reconhecida em todo o grupo cujas unidades industriais competem entre si para tentar ganhar investimento para conseguirem produzir novos modelos ou introduzir novas tecnologias.
Prova disso é o facto de ter ganhado a outras fábricas no leste da Europa a produção do novo modelo citadino da marca, o ID.1, 100% elétrico e ‘low cost’. Um modelo que se espera que seja de grande escala, uma ambição de longa data dos trabalhadores da Autoeuropa.
A fábrica portuguesa está assim a passar ao lado da grande tormenta no grupo Volkswagen, cuja reestruturação passa principalmente pela Alemanha, cuja baixa produtividade nas unidades da Volkswagen tem sido protegida à custa de pressões políticas, por ser onde a empresa está sediada. No chão de fábrica em Palmela há muitos anos que existe o sentimento de que a empresa protege sempre mais as fábricas alemãs face às do estrangeiro, apesar de as alemãs serem menos produtivas.
“De momento, não vejo qualquer impacto significante na fábrica de Palmela”, disse ao JE Christian Schiebold, porta-voz do grupo Volskwagen para a produção.
A fábrica portuguesa da Volkswagen esteve várias semanas paradas este verão devido à modernização da fábrica para receber o novo modelo 100% elétrico e o novo T-Roc híbrido.
A unidade de Palmela, distrito de Setúbal, está a remodelar a sua linha de produção, mas também a criar uma nova oficina de pintura.
A Volkswagen está a investir 600 milhões de euros para renovar as linhas de montagem da Autoeuropa.
O novo Volkswagen 100% elétrico ‘low cost’ tem, para já, um preço previsto de 20 mil euros.
Cinco anos depois, a Autoeuropa vai voltar a produzir dois modelos em simultâneo, o que já não acontecia desde 2022 quando foi descontinuada a produção da Volkswagen Sharan. Em 2024, a fábrica atingiu a marca de quatro milhões de automóveis produzidos desde a sua abertura, em 1995.
O modelo 100% elétrico só deverá chegar ao mercado no final de 2027. Até lá, a fábrica está a testar a produção do novo modelo para afinar o tiro. A preparação do lançamento de um novo modelo tem de começar a ser preparado por uma fábrica com, pelo menos, um ano de antecedência.
As marcas automóveis europeias estão sob pressão das tarifas norte-americanas, da queda das vendas no mercado chinês, que já foi muito lucrativo, e da entrada agressiva das marcas chinesas na Europa.
A Volkswagen viu a sua margem operacional a cair dos 8% em 2022 para os 4% no primeiro semestre deste ano. Já a Stellantis desceu dos 13% em 2022 para os 2% este ano.
As pressões políticas na Alemanha já se fazem sentir: “Se tivermos de reduzir capacidade, a conclusão automática não pode ser que os cortes tenham de ser na Alemanha”, disse Olaf Lies, líder do estado da Baixa Saxónia (que conta com 20% dos direitos de vota na empresa).
Os analistas aplaudiram a decisão, mas deixam avisos. “Este acordo não muda automaticamente o ambiente competitivo na União Europeia, as perdas de quota na China e as pressões de custos das matérias-primas”, segundo o Citi.
“A bola está do lado agora da comissão executiva. Já não há desculpas”, disse Moritz Kronenberger da Union Investment citado pela “Reuters”.
Já Ingo Speich da Deka Investment (acionista da empresa) afirmou: “Isto significa que a Volkswagen está safa? Não de toda. Agora vem a parte difícil: execução”.
Resta saber o que acontece às fábricas alemãs de Emden, Hanover, Zwickau e Neckarsulm, cujos modelos produzidos já têm data para acabar na próxima década. A companhia conta com mais de 650 mil trabalhadores em todo o mundo.
A Autoeuropa está a modernizar as suas linhas de produção num investimento que ascende a 600 milhões de euros. Em agosto de 2025, foram apresentados dois investimentos que ascendem a 300 milhões de euros (com apoio de 30 milhões do Estado português): uma nova prensa XL (nova versão da anterior prensa que molda chapas para as transformar em portas, tejadilhos ou capots) e também uma nova oficina de pinturas, que vai contar com um novo forno elétrico que substituirá o atual a gás natural (o forno produz calor para as estufas de pintura para ajudar a tinta a secar mais rapidamente).
Em agosto de 2025, foram apresentados dois investimentos que ascendem a 300 milhões de euros (com apoio de 30 milhões do Estado português): uma nova prensa XL (nova versão da anterior prensa que molda chapas para as transformar em portas, tejadilhos ou capots) e também uma nova oficina de pinturas, que vai contar com um novo forno elétrico que substituirá o atual a gás natural (o forno produz calor para as estufas de pintura para ajudar a tinta a secar mais rapidamente).
Autoeuropa. Novo T-Roc 100% híbrido já está à venda na Alemanha
A fábrica só produzia até agora ‘mild hybrids’ que ajudam a poupar combustível, com carregamento automático, mas que não movem o carro por si só, ajudando nos arranques, travagens e acelerações mais fortes.
Já na versão’full hybrid’, o motor elétrico leva o carro em velocidades até quilómetros por hora, aumentando a poupança de combustível, com a bateria a carregar automaticamente, sem necessidade de cabos. Conta com uma potência de 125 kw (170 cv).
No mercado alemão, este modelo já está em pré-venda, com o T-Roc R-Line a ter um valor base de 45,7 mil euros, segundo a consulta do JE.
A Alemanha é o maior destino das exportações da Autoeuropa, com mais de 61 mil unidades vendidas em 2025 (26% do total), seguida de Itália com 11% (mais de 26 mil unidades) e França e Espanha a pesarem 7% cada um. A UE pesou 70% nas exportações da fábrica da Volkswagen e o total da Europa a pesar 92%.
Em Portugal, o modelo ainda não está à venda, segundo a informação disponível no site nacional da Volkswagen, onde estão disponíveis quatro versões gasolina mild-hybrid, com potências entre os 85 kW (116 cv) e os 110 kW (150 CV), com preços entre os 33,6 mil e os 44,7 mil euros.
A Volkswagen promete acrescentar em breve ao seu portfólio um T-Roc com níveis de performance mais elevados.
A Autoeuropa produziu mais de 240 mil unidades em 2025, o seu segundo melhor ano de sempre (atrás de 2019 com 254 mil). O volume de vendas atingiu os 3,8 milhões de euros, pesando 4,5% nas exportações nacionais. Do total de produção, 99% segue para exportação. A companhia pesa mais de 1% no PIB nacional e conta com mais de 4,8 mil trabalhadores.
O Volkswagen T-Roc já rendeu mais de 20 mil milhões de euros em vendas à Autoeuropa entre 2018 até ao final do ano de 2024. Do chão da fábrica de Palmela já saíram mais de 2 milhões de unidades do SUV que deu uma nova vida à maior fábrica automóvel nacional. Em 2023, foi mesmo o Volkswagen mais vendido na Europa.
Esta é uma estimativa feita pelo Jornal Económico, publicada em agosto de 2025, a partir dos dados da companhia, não tendo em conta os anos de 2017 (a produção do modelo arrancou na reta final do ano).
Este é o SUV com mais sucesso da marca a seguir ao Tiguan. Lançado em 2017, o modelo sofreu algumas alterações em 2022. Agora, a remodelação é profunda: novo design, motores híbridos, novos interiores, mais tecnologia, mais espaço no interior e bagageira.




