O Conselho de Ministros aprovou a prorrogação do prazo para conclusão do processo de privatização da TAP até o final do ano, estendendo o prazo por mais três meses. O Executivo português justificou a alteração do calendário com a necessidade de garantir todos os trâmites legais e regulatórios necessários para a conclusão do processo.
A decisão reflete, segundo a análise, três problemas crônicos na condução de processos estratégicos por parte do governo. A acusação é de que o Executivo define metas cronológicas pensando no dividendo político imediato, ignorando a complexidade dos passos legais subsequentes, como aprovações de regulação e o "sinal verde" das autoridades europeias de concorrência.
O artigo alerta que cada prorrogação de prazo envia aos investidores e concorrentes internacionais uma mensagem de hesitação. Num processo de privatização, quem ganha tempo costuma ser o comprador, que aproveita o prolongamento para pressionar em alta o seu poder de negociação e renegociação de contraprestações, sabendo que o governo fica cada vez mais "encostado à parede".
O autor conclui que esticar os prazos gera ruído na operação diária da empresa e prolonga a indefinição estratégica, o desgaste dos trabalhadores e clientes. Menciona ainda que surgem outras oportunidades no mercado, como a EasyJet, e questiona se a melhor proposta será realmente a que o governo pretendia.




