O regresso ao trabalho após as férias pode gerar dificuldades emocionais e funcionais. O desconforto do retorno ao trabalho é frequentemente acompanhado de melancolia, saudade das férias e dificuldade em retomar o ritmo habitual. Esta realidade gera por vezes culpabilidade e incompreensão sobre a dificuldade de voltar ao "business as usual".
Do ponto de vista neurofisiológico, os seres humanos funcionam melhor com previsibilidade, hábitos e processos automatizados. Durante as férias, alteram-se os hábitos de sono, alimentação e atividade física, o que pode gerar inquietação em pessoas orientadas para o desempenho. No regresso, acontece o inverso: voltam os horários rígidos, as responsabilidades e a pressão das tarefas, exigindo um período de ajustamento com possíveis dificuldades de concentração e labilidade emocional.
As férias constituem uma descontinuidade programada nas rotinas, e durante esse período desaparecem os padrões automatizados do dia-a-dia, substituídos por mais decisões e novidade, o que pode ser simultaneamente agradável e desgastante. O artigo sugere que o "problema" decorre mais da transição trabalho-férias-trabalho do que das situações em si, e propõe sugestões práticas como preparar o regresso com antecedência, aceitar menor eficácia na primeira semana, evitar agendas sobrecarregadas no primeiro dia e manter práticas de autocuidado.
O artigo alerta ainda para o fenómeno da "apneia existencial", em que pessoas vivem apenas para as férias e fins de semana, suportando o resto do tempo como uma penitência. Esta perspetiva negativa do trabalho pode ter efeitos corrosivos no engagement de pessoas e equipas, com implicações relevantes para a saúde física e psicológica.




