Paulo Clemente, natural de Vila Real e residente no Luxemburgo desde os dois anos de idade, trabalhou durante 17 anos como motorista de caminhão, uma profissão que ele descreveu como o seu trabalho dos sonhos. Aos 37 anos, ele começou a sentir as primeiras dificuldades, como dificuldade em subir escadas, especialmente quando levava o filho no colo. Após cerca de cinco anos de consultas médicas sem respostas definitivas, uma avaliação no Hospital de Estrasburgo, na França, apontou para uma distrofia muscular dos cintos escapular e pélvico, uma doença muscular rara caracterizada por fraqueza progressiva nos músculos próximos da bacia e dos ombros.
Apesar do agravamento da doença, Paulo tentou esconder a condição para evitar uma aposentadoria precoce, conseguindo manter a situação em segredo durante cerca de um ano quando entrou numa nova empresa. No entanto, ele acabou sofrendo três quedas no trabalho e, após a última ser presenciada por colegas, foi enviado ao médico do trabalho, que o considerou inapto para dirigir. Ele deixou os caminhões com grande dificuldade e tentou outras funções, incluindo trabalho de escritório numa empresa de transportes, mas após três meses uma nova avaliação médica concluiu que ele já não conseguia trabalhar oito horas por dia.
Aos 47 anos, sem conseguir encontrar uma alternativa que lhe permitisse continuar ativo, Paulo viu terminar a sua vida profissional e passou a receber uma aposentadoria por invalidez. Essa prestação, concedida no Luxemburgo a pessoas com menos de 65 anos que tenham perdido a capacidade de exercer uma atividade adequada às suas aptidões, provocou uma redução significativa na sua renda, passando de um salário acima do salário social mínimo qualificado para um valor inferior. Ele ainda recebe um apoio adicional de 150 euros associado à natureza genética da doença. Após o divórcio, ele voltou para a casa dos pais em Larochette, mantendo encargos com uma moradia que comprou na região de Torres Vedras.
