A Estação de Mafra, situada na Linha do Oeste que liga Lisboa à Figueira da Foz, fica a cerca de oito quilômetros da vila de Mafra, uma distância que se tornou parte da sua identidade ao longo dos anos, sobretudo para gerações de recrutas da Escola Prática de Infantaria que ali desembarcavam e seguiam a pé até ao quartel.
O edifício da estação preserva a arquitetura oitocentista típica da linha, inaugurada no final do século XIX, com alpendres de ferro a proteger os caís e letreiros pintados à mão com o nome da gare, contrastando com a uniformidade mais moderna de outras estações do país.
O elemento que mais distingue a Estação de Mafra são os seus painéis de azulejos, realizados em 1934 por António de Castro Mourinho, Álvaro Pedro Gomes e Mário Salvador. Várias estações da Linha do Oeste, entre Lisboa e as Caldas da Rainha, foram decoradas com painéis azulejares encomendados a diferentes artistas, cada um deixando a sua marca. Os azulejos da estação mostram imagens alusivas à região, como o Convento de Mafra e a Tapada de Mafra.
A estação partilha com a Estação de São Bento, no Porto, a vocação de usar o azulejo — material profundamente português com raízes na influência mourisca e no barroco — para narrar cenas do quotidiano, da paisagem local ou de episódios históricos, transformando um espaço de trânsito ferroviário numa pequena galeria de arte popular. A estação é assim um testemunho vivo, embora frágil, de uma tradição artística e ferroviária que importa preservar.




