A desertificação que ocorre a partir do norte de África afecta actualmente o sul de Portugal, particularmente a região do Algarve. O autor recorda que, na sua infância, a pluviosidade iniciava-se no início do Outono, seguindo-se chuvas intensas, pendulares e prolongadas durante o Inverno, propiciando a preparação dos campos para a lavoura.
Segundo os climatologistas, a principal causa desta desertificação é a Precessão axial terrestre, um movimento lento e contínuo do eixo da Terra que descreve um "bamboleio" ao longo de milhares de anos. Este ciclo demora cerca de 25.772 anos a completar-se, com o Polo Norte a antecipar-se 1 grau a cada 71,59 anos relativamente ao ciclo do Sol, sendo causado pelas forças gravitacionais da Lua e do Sol.
A Precessão é apenas um dos três Ciclos de Milankovitch. Os outros dois são a Excentricidade, que refere mudanças na forma da órbita terrestre entre mais elíptica e mais circular, com periodicidade de cerca de 100.000 anos, e a Inclinação axial, que varia entre aproximadamente 22,1 e 24,5 graus ao longo de 41.000 anos, afectando a distribuição da radiação solar e o contraste entre estações.
Entre há 11.000 e 5.000 anos, o chamado "Green Sahara" era uma região verdejante e populosa, como comprovam sedimentos lacustres, pólen, conchas de água doce e pinturas rupestres. Com a desertificação, ocorreram vastas migrações humanas para zonas mais húmidas como a Mesopotâmia e o Nilo, tendo influenciado o desenvolvimento da Civilização Egípcia. Estudos de ADN antigo detectaram sinais de afinidade africana em amostras ibéricas do Neolítico e Idade do Bronze, sugerindo migrações através do Estreito de Gibraltar para a Península Ibérica.




