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A atividade bancária continuará a ser o núcleo do sistema financeiro português

Eco5 de setembro de 2026 às 17:28

Francisco Soares Machado, sócio do departamento de Financeiro e Governance da Sérvulo desde 2025, caracteriza o momento atual do setor financeiro português como muito positivo. Em entrevista à Advocatus, o ex-assessor do Vice-Presidente do Banco Europeu de Investimento e ex-adjunto do Ministro das Finanças refere que a banca nacional apresenta hoje níveis de capital e liquidez elevados, lucros e rentabilidade históricos, crédito em inadimplência reduzido e baixa alavancagem, situando-se em vários indicadores acima da média da União Europeia. O desempenho dos bancos resulta de uma combinação de fatores conjunturais, como a estabilidade política, a responsabilidade orçamental e o crescimento econômico impulsionado pelo turismo, mercado imobiliário e tecnologia, e de fatores estruturais, como o mérito das equipes de gestão na desalavancagem, transformação digital e reforço da qualidade dos ativos.

Quanto aos desafios estratégicos, Machado identifica a transformação digital, o combate à fraude nos pagamentos, a integração da sustentabilidade nos modelos de gestão de risco e a regulação europeia como principais áreas de atenção. O advogado vê positivamente as iniciativas da Comissão Europeia e do BCE para fomentar a competitividade do setor e simplificar a regulação, mas defende que seria importante haver consenso europeu para concluir o pilar em falta da União Bancária. A regulação europeia está transformando o modelo de negócio das instituições financeiras, que dedicam tanto tempo ao compliance quanto ao próprio negócio, o que, segundo Machado, traz benefícios para as instituições e externalidades positivas para a sociedade.

No que diz respeito a oportunidades de investimento, Machado destaca que as elevadas valorizações dos bancos e as barreiras à concessão de novas licenças criam oportunidades relevantes para investimento de longo prazo. Exemplos recentes incluem a venda pela Fosun de uma participação no BCP, a venda do Novo Banco ao BPCE e acordos de venda de outros bancos. Na gestão de ativos alternativos, o mercado tem crescido exponencialmente, impulsionado por um regime fiscal atrativo e menores barreiras regulatórias, com diversas operações de consolidação nos últimos meses. No entanto, Machado alerta que Portugal deve olhar para o mercado único europeu e internacionalizar-se, em vez de se limitar ao mercado doméstico.

Relativamente ao futuro, Machado acredita que a atividade bancária continuará a ser o núcleo do sistema financeiro português, mas antecipa grande potencial de crescimento nos fundos de investimento, especialmente nos fundos de dívida, que

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