Em Trás-os-Montes, a vindima arrancou mais cedo este ano e as previsões do Instituto da Vinha e do Vinho apontavam para um aumento de produção de cerca de 15%, passando dos 84 mil hectolitros de 2025 para aproximadamente 94 mil hectolitros. Empresas como a Casa José Pedro, em Rio Torto, no município de Valpaços, antecipam uma colheita de excelente qualidade, com aumentos de 15 a 20% nas uvas brancas, graças às condições meteorológicas favoráveis e ao bom estado sanitário das videiras.
Entre 28 de julho e 2 de agosto, um incêndio que começou em Valpaços, distrito de Vila Real, propagou-se a Mirandela, Vinhais e Macedo de Cavaleiros, distrito de Bragança, afetando 20 freguesias. Em Valpaços, foram contabilizados 304 hectares de vinha destruídos, além de olivais e amendoais, e o Governo declarou o incêndio como "catástrofe natural".
O viticultor Hélder Martins, da aldeia de Sonim, perdeu cerca de 90% dos seus 20 hectares de vinha, bem como seis hectares de olival e videiras centenárias que descreveu como "esculturas vivas ao ar livre". A sua empresa, Encostas de Sonim, que estagia os vinhos durante pelo menos três anos, vai comprar uvas a outros agricultores locais para cumprir compromissos com clientes e assegurar o estoque na adega.
Fernando Faria, também de Sonim, perdeu seis hectares de vinha e dois de olival centenário, optando por não vinificar este ano e vender as uvas em vez disso. Sem seguro, os viticultores afetados estudam recorrer aos apoios anunciados pelo Governo, enquanto a freguesia viu 90% da sua área agrícola destruída num território de minifúndio onde, segundo Hélder Martins, "mil metros quadrados significam muito".



