A ligação do Alto Minho à Galícia tem sido, ao longo dos séculos, um veículo de desenvolvimento comum do território ibérico e uma oportunidade para parcerias estratégicas em áreas como a mobilidade, a cultura, a biodiversidade e a economia local. A autora, Marina Gonçalves, deputação eleita por Viana do Castelo, defende que a vida neste território transfronteiriço convive diariamente com a presença de pessoas que vivem, trabalham, estudam e consomem em ambas as margens, funcionando cada vez mais como um território único.
No entanto, o artigo alerta para fragilidades claras no aproveitamento deste posicionamento estratégico, particularmente em áreas como a mobilidade e respectivas infraestruturas, a saúde, o emprego e o desenvolvimento econômico de toda a região transfronteiriça. A autora sustenta que, apesar desta realidade, continuam a existir modelos de governança separados em muitos aspectos comuns.
Marina Gonçalves propõe várias medidas para melhorar a cooperação, incluindo o reforço das infraestruturas rodoviárias e ferroviárias comuns, como o caso da Alta Velocidade, com mais soluções ibéricas. Defende também uma maior articulação de serviços públicos, especialmente na área da saúde, bem como políticas fiscais, administrativas e sociais mais semelhantes entre os dois países, tendo em conta o número de trabalhadores transfronteiriços. A autora pede ainda ao reforço da união geográfica e institucional promovida pelo Rio Minho.
A autora conclui que a cooperação atual não é suficiente para os desafios comuns que o território enfrenta. Reconhece que já existem desenvolvimentos positivos, como a criação de Eurocidades, projetos e estratégias comuns e Agrupamentos Europeus de Cooperação Transfronteiriça, mas afirma que continua a ser evidente a necessidade de quebrar as barreiras administrativas ainda existentes entre os dois territórios.




