As duas principais plataformas de partidos da oposição na Guiné-Bissau, a PAI-Terra Ranka e a API-Cabas Garandi, instaram a comunidade internacional a não legitimar o referendo à Constituição realizado no domingo, classificando-o de "fraude" e "falsificação grosseira" conduzida pela Comissão Nacional de Eleições sob o controlo dos militares no poder. No comunicado conjunto, as plataformas exigem uma "tomada de posição firme" da CEDEAO, União Africana, CPLP e ONU, pedindo que recusem qualquer validação de um processo que consideram "ferido de ilegalidades profundas".
A oposição solicita o envio urgente de uma missão independente de avaliação sobre os dados apresentados pela CNE, alegadamente sem a presença de partidos políticos da oposição, com discrepâncias nos números de votantes e inscritos e com a exclusão de cidadãos guineenses na diáspora.
O mediador da União Africana para a crise na Guiné-Bissau, Patrice Trovoada, encontra-se em Bissau para contactos com as autoridades civis e militares que conduzem a transição política. Após ser recebido pelo Presidente de transição, general Horta Inta-a, Trovoada declarou que o processo deverá evoluir em cumprimento dos compromissos assumidos, destacando a importância da nova Constituição aprovada em referendo e apontando para as próximas eleições presidenciais como etapa seguinte.
Os militares guineenses protagonizaram um golpe de Estado em 26 de novembro de 2025, um dia antes da publicação dos resultados de eleições legislativas e presidenciais, afastando o então Presidente eleito Umaro Sissoco Embaló e avançando com uma nova Constituição que reforça os poderes do chefe de Estado. A oposição considerou que se tratou de um golpe encenado para permitir o regresso de Sissoco Embaló ao poder através de novas eleições marcadas para 06 de dezembro.




