O Largo da Oliveirinha, na Calçada da Glória, em Lisboa, acolhe desde 3 de setembro de 2026 um memorial às 16 vítimas fatais do descarrilamento do Elevador da Glória, que ocorreu exatamente um ano antes, em 3 de setembro de 2025, às 18 horas. O memorial foi construído pela Câmara Municipal de Lisboa e é composto por 16 blocos de pedra de calcário dispostos radialmente em torno de uma oliveira centenária com 150 anos, elemento central da intervenção e símbolo de paz e continuidade, diretamente associado ao topônimo do lugar. Cada bloco grava o nome de uma das vítimas e o espaço inclui ainda iluminação integrada, um banco semicircular em pedra natural e suportes para deposição de flores.
A cerimônia de inaugurationou decorreu às nove horas da manhã, com acesso reservado a convidados, familiares das vítimas, representantes das embaixadas dos respectivos países (a maioria das vítimas era de nacionalidade estrangeira), elementos das forças de segurança e de socorro que intervieram no acidente, e representantes da Carris e da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, instituição que perdeu quatro trabalhadores na tragédia. A cerimônia foi presided pelo bispo Rui Valério, Patriarca de Lisboa, e Carlos Moedas, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, colocou uma coroa de flores em nome da autarquia. O memorial abriu ao público às 15 horas do mesmo dia.
A tragédia de 3 de setembro de 2025 provocou 16 mortos e 24 feridos, nove dos quais graves, de 15 nacionalidades. O Ministério Público está a investigar a parte criminal e o GPIAAF a parte técnica e ferroviária, tendo já produzido dois relatórios que apontaram falhas na manutenção do equipamento. O relatório final do GPIAAF deverá ser publicado no primeiro trimestre de 2027 e as acusações do Ministério Público deverão chegar no final do ano. A seguradora Fidelidade já assegurou custos no total de 2,3 milhões de euros relacionados com o acidente, incluindo indenizações a quatro famílias de vítimas fatais.
Ao longo da Calçada da Glória multiplicaram-se também inúmerashomenagens informais, incluindo ramos de flores e um poema junto à parede onde o elevador desmoronou. Cerca de uma hora após a cerimônia oficial, o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal, filiado na Fectrans, prestou uma inúmerahomenagem separada ao guarda-freio André Marques, com a presença de trabalhadores da Carris, do secretáriogeral da CGTP-IN, Tiago Oliveira, e do inúmerav ereador do PCP na Câmara de Lisboa, João Ferreira, que criticou a ausência de algumas medidas prometidas um ano antes e considerou que o processo de apuramento de responsabilidades ainda não está concluído.




