Todos os anos, no primeiro sábado de setembro, celebra-se o Dia Internacional dos Abutres. Em Portugal existem três espécies dessas aves necrófagas, que desempenham um papel essencial nos ecossistemas ao remover dos campos corpos em decomposição que, de outra forma, poderiam contaminar as águas ou transmitir doenças. Na ausência dos abutres, espécies oportunistas como ratazanas ou cães assilvestrados iriam proliferar, trazendo problemas sociais, sanitários e alterando processos ecológicos.
O abutre-preto (Aegypius monachus) é o maior abutre da Europa, com três metros de envergadura. Desaparecido de Portugal na década de 70, voltou a nidificar no país em 2010. Atualmente nidifica em cinco locais diferentes, incluindo o Tejo Internacional, a Herdade da Contenda em Moura, a Reserva Natural da Malcata, Vidigueira/Portel e o Douro Internacional. A espécie está classificada como Em Perigo de extinção em Portugal, devido a ameaças como linhas elétricas, pesticidas químicos e presas contaminadas com chumbo. Um projeto LIFE iniciado em novembro de 2022 visa duplicar o número de casais nidificantes, tendo sido registrados entre 119 a 126 casais no ano passado.
O grifo (Gyps fulvus) é a espécie mais comum em Portugal, com pelo menos 1200 casais estimados no continente. Esta ave vive em colônias e está em expansão no país e na Europa. Sua população nidificante concentra-se no nordeste e na Beira Baixa/Alto Alentejo, sendo a maior colônia do país a das Portas do Ródão, com 101 casais confirmados. Está presente em Portugal durante todo o ano, mas efetua movimentos amplos fora da época de reprodução.
O abutre-do-egito (Neophron percnopterus), também conhecido como britango, é o menor dos abutres ibéricos, com 65 centímetros e dois quilos. Está classificado como Em Perigo de extinção em Portugal e foi nomeado Ave do Ano 2016. Está presente no país de abril a setembro para se reproduzir, passando os meses mais frios na África. A população europeia sofreu um declínio de cerca de 50% nos últimos 40 anos, sendo as principais ameaças a redução de disponibilidade alimentar, o uso ilegal de veneno, a perturbação dos locais de nidificação e a colisão com linhas elétricas. Esta ave pode viajar 80 quilômetros por dia em busca de alimento e consegue atravessar o Estreito de Gibraltar em apenas 20 minutos.




