O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu ao Supremo Tribunal que autorize a aplicação de uma nova regra que torna mais rigoroso o uso de boletins de voto enviados pelo correio. O apelo aconteceu após um juiz federal suspender temporariamente a norma antes das eleições legislativas de novembro. O Departamento de Justiça solicitou ao Supremo Tribunal que derrube a decisão da juíza Indira Talwani, de Boston, que impede temporariamente o USPS de aplicar a nova regra, adotada após um decreto de Trump para restringir o voto pelo correio.
A nova regra do USPS imporia novos requisitos para dados específicos dos eleitores e para os envelopes dos boletins, além de permitir a eventual recusa de entrega de boletins que não estejam em conformidade. Pela norma, os estados devem fornecer aos correios listas de eleitores que receberão boletins e usar envelopes equipados com códigos de barras exclusivos. Críticos afirmam que isso poderia comprometer milhares de votos legítimos na véspera das eleições intercalares de 3 de novembro.
Esta é a segunda vez que o governo recorre ao Supremo Tribunal. A 24 de agosto, a corte derrubou uma liminar anterior imposta por Talwani, considerando que uma aliança de estados, na sua maioria governados por democratas, havia entrado com a ação cedo demais. A decisão foi sustentada pela maioria conservadora de 6 votos a 3, enquanto as três juízas mais à esquerda divergiram. Talwani emitiu a 27 de agosto uma nova decisão temporária de 14 dias, concluindo que a regra provavelmente viola a Constituição, segundo a qual cabe aos estados administrar as eleições.
Trump, que assinou o decreto contra o voto pelo correio em março, questiona há anos a segurança dessa modalidade, embora sejam raras as evidências de fraude eleitoral nos EUA. Os republicano travam uma disputa acérrima para manter o controlo do Congresso, e opositores dizem que as restrições ao voto pelo correio tenderiam a beneficiar desproporcionalmente a situação, já que tradicionalmente os eleitores democratas têm maior probabilidade de usar a modalidade. Uma aliança de estados maioritariamente governados por democratas, além de grupos de defesa do direito ao voto, contestou a regra.




