O autor é um médico português que participou em duas missões de cooperação médica internacional em Cuba e partilha as suas experiências pessoais no país. Durante essas visitas, foi internado durante quase uma semana na clínica Cira Garcia em Havana devido a cólica renal e insuficiência renal aguda, onde recebeu tratamento multidisciplinar com competência e humanismo. Visitou hospitais, a faculdade de medicina Manuel Fajardo, centros de saúde, o jardim botânico, o museu dedicado a Che Guevara em Santa Clara, e outros locais turísticos como o Malecón e a Praça da Revolução.
O autor reconhece que em Cuba não encontrou liberdade e democracia, e relata situações difíceis que presenciou, como pessoas a serem presas por falar com estrangeiros, jovens sem futuro, e a impossibilidade de alguns cidadãos acessarem lojas mesmo tendo dinheiro. No entanto, questiona por que os mesmos políticos portugueses e influencers digitais que reivindicam penalizações para Cuba não fazem o mesmo em relação a outros países onde os portugueses passam férias, como a República Dominicana ou o Egito, que também têm regimes políticos semelhantes.
O autor refere que o embargo económico e político dos EUA contra Cuba decorre desde 1959 e cita o cronista de direita Esteves Cardoso, que escreveu que a União Europeia deveria ajudar Cuba. Conclui que os cubanos são seres humanos afáveis e afetuosos, apesar das condições sub-humanas em que vivem, e que não merecem o desdém dos países desenvolvidos nem o boicote à sua qualidade de vida, seja por ação ou omissão. Defende que ser humanista pode ser politicamente incorreto, mas é ser humano.




