Portugal está costurando o futuro da moda com algodão regenerativo e microrganismosFoto de Natalia Olivera no Pexels
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Portugal está costurando o futuro da moda com algodão regenerativo e microrganismos

Jornal Económico4 de setembro de 2026 às 09:01

A indústria têxtil portuguesa está se transformando através de práticas sustentáveis e inovadoras, incluindo algodão regenerativo cultivado para recuperar solos, tingimento com microrganismos e processos industriais que consomem menos água. Essa mudança surge em um setor mundial sob pressão para reduzir emissões, desperdício e consumo de produtos químicos, com a moda representando entre 2% e 8% das emissões globais de gases de efeito estufa. Um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos, coordenado por Céline Abecassis-Moedas, Laure Leglise e Mariana Pereira Silva, analisou sete casos portugueses de inovação sustentável, identificando exemplos que vão do algodão regenerativo ao poliéster reciclado, fibras de ácido polilático, liocel e acabamentos que reduzem o consumo de água.

O estudo revela que, muitas vezes, não são as marcas que impulsionam a inovação, mas os próprios produtores portugueses, que conhecem as máquinas, dominam os processos e assumem parte importante do risco de experimentar novas soluções. Os fabricantes estão passando de simples produtores para parceiros estratégicos que desenvolvem materiais, asseguram rastreabilidade e participam em processos de reciclagem. A colaboração entre os agentes da cadeia de valor ocorre principalmente através do compartilhamento de conhecimentos, intercâmbio de informações e integração de recursos complementares, com acordos baseados na confiança prevalecendo em quatro dos sete casos analisados.

Portugal parte com vantagens competitivas significativas, incluindo mão de obra qualificada, capacidade tecnológica, forte investimento em sustentabilidade e concentração geográfica das empresas no Norte do país, que permite testar e transformar ideias com maior rapidez. Entre 2010 e 2021, o número de empresas do setor que investiram em investigação e desenvolvimento aumentou 153%, de 64 para 162, com um investimento empresarial em I&D de cerca de 43 milhões de euros. Em 2024, o setor representava 1,7% do PIB português, 7,8% das exportações e 17,3% do emprego da indústria transformadora, com quase 12 mil empresas empregando mais de 118 mil pessoas.

No entanto, a indústria enfrenta desafios consideráveis, incluindo custos elevados de inovação, dificuldades de financiamento, falta de profissionais especializados e o que os fornecedores descrevem como um tsunami regulatório europeu. As pequenas

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