O Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) enfrenta pressões significativas, segundo economistas ouvidos pelo Jornal Econômico. A margem orçamental está condicionada por decisões já tomadas e pelas regras orçamentárias europeias, que são mais restritivas para o Brasil este ano. O ministro da Fazenda, Miranda Sarmento, já tem comprometidas despesas de 4,7 bilhões de euros, sendo que as aposentadorias representam 2 bilhões de euros (incluindo aumento do número de beneficiários e da aposentadoria média, e atualização regular) e os aumentos salariais no serviço público representam 1,2 bilhões de euros. Estas duas rubricas, após descontados os impostos, representam cerca de metade de todo o impacto esperado no OE2027.
A principal restrição à ação governamental é a despesa líquida, indicador monitorado em Bruxelas. As regras ficaram mais apertadas para o Brasil, sendo que a diferença entre a projeção do Conselho das Finanças Públicas para 2027 (3,9%) e o valor de referência da Comissão Europeia (1,2%) representa um desvio significativo. O economista Óscar Afonso, da Universidade do Porto, alerta que qualquer nova medida permanente deve ser analisada pelo seu custo estrutural nos anos seguintes e pela forma como será financiada. Um antigo governante contactado pelo jornal confirma que o Governo "não tem margem nenhuma" para medidas com significado em IRPF ou aposentadorias.
Os economistas alertam que o investimento público poderá ser o "parente pobre" do orçamento. Óscar Afonso considera que não é desejável melhorar o saldo através da subexecução de investimento público, lembrando que o excedente de 2025 foi sinalizado em Bruxelas por ter se benefiting de despesa de capital inferior à inicialmente orçamentada. João Borges Assunção, da Católica Lisbon, entende que o risco é a criação de despesa rígida em aposentadorias e salários que crie novos problemas para o futuro. A questão central é ainda o que vai acontecer com os fundos do PRR, sendo que o ministro da Economia estimou a pressão adicional em apenas 200 milhões de euros.




