As metas do Plano de Recuperação e Resiliência foram cumpridas em Portugal dentro do prazo limite de 31 de agosto, mas a execução dos pagamentos aos beneficiários varia significativamente entre as 21 componentes do PRR. A habitação e as infraestruturas se destacam com taxas de pagamento superiores a 80%, enquanto o Serviço Nacional de Saúde registra apenas 38,6% e a REPowerEU 40%, ficando na尾cauda deste ranking. Os dados da estrutura de missão Recuperar Portugal revelam que a Saúde alcançou apenas 39% dos pagamentos, com apenas 9% em trânsito em beneficiários intermediários.
Uma análise mais detalhada mostra que os problemas na saúde se concentram especialmente nos cuidados continuados e na saúde mental. A expansão da rede de cuidados continuados integrados está apenas nos 14%, sensivelmente o mesmo que a conclusão da reforma do modelo de governação dos hospitais públicos. A digitalização da saúde tem 23,5%, a reforma da saúde mental 30,8% e o reforço das respostas na área das demências associadas ao envelhecimento 31,9%.
Pedro Dominguinhos, presidente da Comissão de Acompanhamento do PRR, explica que o concurso dos cuidados continuados foi lançado mais tarde que outros no SNS, seguido de atrasos na publicação de avisos, na avaliação de candidaturas e em litígios tribunalícios, sobretudo no Norte. A isso se juntaram aumentos significativos nos custos de construção, com o valor por cama subindo para 42 mil euros, e alguns concursos ficaram desertos. A depressão Kristin veio ainda agravar a situação em vários projetos.
O problema foi parcialmente resolvido através da reprogramação do PRR, com a alteração da meta que diminuiu a ambição inicial. A Administração Central do Sistema de Saúde recebeu apoio da Recuperar Portugal para a análise dos pedidos de pagamento, mas Pedro Dominguinhos alerta que alguns prefeitos continuam preocupados com a garantia dos pagamentos, especialmente relativamente a centros de saúde.




