A água que não vemosFoto de David Montanini no Pexels
Ciência

A água que não vemos

Jornal Económico4 de setembro de 2026 às 00:15

Quando pensamos nas reservas de água de um país, pensamos quase sempre nas barragens. No entanto, é debaixo dos nossos pés que se encontra uma parte importante da capacidade de resistir a períodos de seca e menor disponibilidade de água superficial. A água infiltrada no solo e nas formações geológicas é armazenada e liberada ao longo do tempo, permitindo aos aquíferos amortecer a variabilidade da precipitação e assegurar abastecimento quando outras fontes escasseiam. Mas esta reserva não é ilimitada, nem se recompõe automaticamente quando a chuva retorna.

Um aquífero é um estoque de capital natural cuja evolução depende do equilíbrio entre recarga e captação. Se retirarmos persistentemente mais água do que aquela que o sistema repõe, os níveis piezométricos caem e o estoque diminui. Nos aquíferos costeiros, a pressão excessiva pode ainda favorecer a intrusão salina, degradando um recurso cuja recuperação é lenta e dispendiosa. A água utilizada hoje deixa de estar disponível para responder a necessidades futuras, gerando externalidades que dificilmente são refletidas no preço pago pela água.

Os últimos anos mostram que esta tensão já é real. No Algarve, a redução das reservas levou a restrições às captações subterrâneas. Em Grândola, a disponibilidade hídrica entrou na discussão sobre a intensidade do desenvolvimento turístico no litoral. Em Almada, dificuldades recentes de abastecimento e o reforço das captações evidenciaram novamente o papel das águas subterrâneas perante picos de demanda. Agricultura, turismo, urbanização e consumo competem pela mesma água, gerando benefícios, mas também pressões distintas sobre a sua disponibilidade futura.

Num contexto de maior incerteza climática, existe ainda valor de opção em manter água no aquífero. Preservar reservas permite responder a secas, choques de demanda ou necessidades futuras ainda desconhecidas. Gerir aquíferos não significa impedir a sua utilização, mas decidir quanto retirar hoje sem comprometer as opções de amanhã. A água que permanece no aquífero não é água sem valor, é capital natural, segurança e capacidade de adaptação cujo valor aumenta precisamente à medida que a água se torna mais escassa.

Notícias relacionadas

Carros híbridos plug-in são mais poluentes do que o esperado segundo estudo
Ciência

Estudo descobriu que os carros híbridos plug-in emitem até cinco vezes mais CO2 do que o esperado

A discrepância entre os valores reais e os oficiais levanta questões sobre a fiabilidade dos testes de emissões utilizados para classificar estes veículos como mais ecológicos.

SAPO Notícias04/09/26, 00:46
Ciência

Distinção internacional atribuída pela URSI ao diretor do DETI

Nuno Borges de Carvalho, diretor do Departamento de Eletrônica, Telecomunicações e Informática da Universidade de Aveiro, recebeu a Medalha de Ouro John Howard Dellinger, atribuída pela Union Radio-Scientifique Internationale (URSI), durante a Assembleia Geral e Simpósio Científico em Cracóvia, Polônia. Esta é a primeira vez que a distinção é atribuída a um português e reconhece o trabalho e contribuições do professor e pesquisador para o desenvolvimento do SWIPT – Simultaneous Wireless Information and Power Transfer.

NotíciasdeAveiro.pt04/09/26, 00:05
Ciência

Portugal entre o clima que sempre mudou e o clima que estamos alterando

Este artigo de opinião de P. Proença Cunha aborda a questão das mudanças climáticas em Portugal, argumentando que o verdadeiro debate não é se o clima mudou — pois sempre mudou ao longo da história — mas sim se mudou a velocidade dessa mudança e quais são atualmente os mecanismos que a controlam. O autor convida à reflexão científica sobre a aceleração das transformações climáticas e as suas causas.

Público04/09/26, 00:05
Ciência

Beja: Dia Nacional do Psicólogo Comemorado com Encontro sobre Novos Desafios da Psicologia

A Delegação Regional Sul da Ordem dos Psicólogos Portugueses promove hoje, em Beja, um encontro sobre o tema "Redes sociais, Inteligência Artificial e saúde mental: os novos desafios da Psicologia", para celebrar o Dia Nacional do Psicólogo. O evento reúne profissionais das áreas de educação, saúde e setor social para discutir os impactos das redes sociais e da inteligência artificial na saúde mental.

O Atual - Informação de Verdade04/09/26, 00:02