Novo inventário revela que Portugal tem 231 espécies marinhas exóticasFoto de Following NYC no Pexels
CiênciaAçores

Novo inventário revela que Portugal tem 231 espécies marinhas exóticas

Wilder3 de setembro de 2026 às 14:33

Mais de 30 investigadores atualizaram o inventário nacional de espécies marinhas não indígenas para 231, confirmadas em Portugal continental, nos Açores e na Madeira. Oito anos depois do último inventário, este trabalho foi publicado na revista Marine Pollution Bulletin e reuniu 31 investigadores de 11 universidades portuguesas, três entidades públicas nacionais e diversos institutos de investigação, tendo sido liderado por investigadores do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, e do ARNET – Rede de Investigação Aquática. Das 231 espécies confirmadas, 159 ocorrem em Portugal continental, 81 nos Açores e 62 na Madeira, incluindo cinco espécies nunca antes registadas no país, identificadas na costa sudoeste junto ao Porto de Sines.

O estudo revela um padrão geográfico claro sobre a origem das espécies invasoras. Em Portugal continental, 39% das espécies não indígenas provêm do Pacífico Norte temperado e 24% do Atlântico Norte. Nos arquipélagos, o padrão inverte-se: na Madeira, 27% têm origem no Atlântico Norte e 24% no Atlântico Tropical, enquanto nos Açores, 37% provêm do Atlântico Norte e 19% do Pacífico Norte. O transporte marítimo, através da água de lastro e da bioincrustação nos cascos dos navios, é a principal via de introdução, com a aquacultura a ter um peso particularmente relevante no continente. O Porto de Sines surge como um ponto estratégico de entrada, dado o cruzamento de rotas marítimas que ligam a Ásia, o Mediterrâneo, os Estados Unidos e África.

Além da checklist morfológica, a equipa desenvolveu uma lista de vigilância pioneira com 22 espécies detetadas exclusivamente por métodos moleculares, como o ADN ambiental, ainda sem confirmação física da sua existência. Este mecanismo funciona como sistema de alerta precoce para potenciais invasores. O estudo identificou também que apenas 12,5% das 231 espécies têm sequências genéticas obtidas a partir de espécimes recolhidos em águas portuguesas, o que pode reduzir a fiabilidade das ferramentas de deteção rápida. Os autores defendem um reforço da recolha de amostras em Portugal como prioridade para tornar a vigilância genética mais precisa.

O trabalho resulta de uma colaboração nacional coordenada pela investigadora Paula Chainho do MARE na Universidade de Lisboa, que envolveu a Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos, o IPMA e o ICNF, e é financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, através da Agenda NEXUS, e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

Notícias relacionadas

Ciência

ULSAAVE: integração na rede da 'European Society of Hypertension' é mais uma distinção

A Unidade Local de Saúde do Alto Ave (ULSAAVE) alcançou uma distinção internacional ao ser integrada na rede da European Society of Hypertension, reconhecendo o seu trabalho na área da hipertensão arterial e do risco cardio-metabólico. Esta integração representa mais uma validação da qualidade dos serviços de saúde prestados por esta unidade na região.

Guimarães, agora!03/09/26, 15:51
Ciência

Que espécie é esta: cobra-d'água-de-colar-mediterrânica

A leitora Maria João Figueiredo fotografou uma cobra no dia 31 de agosto, na Malcata, e enviou a imagem à Wilder para identificação. O herpetólogo Diogo Parrinha identificou o animal como um filhote de cobra-de-água-de-colar-mediterrânica (Natrix astreptophora). Esta espécie, que pode ultrapassar os 150 centímetros e apresenta coloração que varia entre verde-oliváceo e acastanhado, é uma boa nadadora e completamente inofensiva, não sendo venenosa nem agressiva.

Wilder03/09/26, 15:49
Ciência

Futuros médicos desenvolvem ações junto à população de São Pedro do Sul

Estudantes de medicina de São Pedro do Sul vão percorrer os distritos do município para realizar triagens de saúde, visitas de casa em casa, ações de promoção da saúde e treinamento em Suporte Básico de Vida para a população local, em uma iniciativa que visa aproximar os futuros médicos da comunidade.

Diário de Viseu03/09/26, 15:45
Ciência

Chile: pinguins usam coletes para proteger feridas em cicatrização

Pinguins-de-Humboldt feridos no Chile estão recebendo coletes de recuperação especialmente projetados que protegem suas feridas cirúrgicas e impedem que danifiquem os pontos durante o processo de cicatrização, contribuindo para uma recuperação mais segura e eficaz.

Euronews Portugal03/09/26, 15:33