Um ano após o descarrilamento do elevador da Glória, que ocorreu a 3 de setembro de 2025 e provocou 16 mortos e 24 feridos, o PS na Assembleia Municipal de Lisboa vai insistir na criação de uma comissão eventual para acompanhar a resposta municipal ao acidente. A primeira proposta foi rejeitada há mais de três meses pela maioria de direita na AML, com os votos contra de PSD, CDS-PP, IL e Chega.
O socialista Hugo Gaspar, líder da bancada do PS na AML, afirmou que existem fatos demais graves para não serem escrutinados e que ainda há perguntas demais importantes para dar o processo como encerrado. O PS sublinhou que ainda há processos indenizatórios em aberto e que vítimas e familiares dizem continuar à espera de respostas, apoio e responsabilização. Dos 40 processos de indenização, apenas quatro se encontram concluídos.
A comissão eventual não pretende substituir o GPIAAF nem o Ministério Público, que investigam o acidente de forma independente e preveem apresentar relatórios até o final do primeiro trimestre de 2027. Pretende sim exercer uma competência diferente: acompanhar e fiscalizar a atuação do município de Lisboa e da Carris, empresa cujo capital pertence integralmente ao município, incluindo a implementação das recomendações de segurança e as medidas de apoio às vítimas.
A empresa municipal Carris já projeta um novo elevador para 2029. O PS defendeu que Lisboa não pode passar diretamente da tragédia de 2025 para um novo elevador em 2029 sem escrutinar o que falhou num transporte centenário e numa empresa integralmente detida pelo município. Para marcar um ano do acidente, a Câmara de Lisboa inaugurou um memorial de homenagem às vítimas no Largo da Oliveirinha, junto à Calçada da Glória.




