A rede internacional da Cáritas lançou um apelo urgente à solidariedade para com o Nepal, denunciando as consequências de inundações devastadoras que mataram mais de mil pessoas no país asiático. O colapso de uma barragem glacial no sistema do rio Bhote Koshi provocou 1.114 mortos e 3.916 desaparecidos, segundo um balanço provisório das autoridades de gestão de emergências, enquanto na região chinesa do Tibete foram registrados 16 mortos e 546 desaparecidos.
O secretaryário-geral da Cáritas, Alistair Dutton, sublinhou que muitas nações prosperaram historicamente por meio de sistemas baseados em carbono e exigiu que as grandes potências assumam sua responsabilidade pelo caos e danos climáticos globais, alertando que a humanidade tem o dever coletivo de proteger a casa comum.
A diretora executiva da Cáritas Nepal, irmã Cecilia Durga Shrestha, lembrou que as comunidades dos Himalaias enfrentam perigos extremos em um território que contribui com menos de 0,1% para as emissões globais de gases de efeito estufa. A organização humanitária encontra-se no terreno distribuindo bens essenciais por meio de cerca de 50 cozinhas comunitárias nas áreas mais afetadas do distrito de Rasuwa.
A coordenadora do Departamento de Gestão de Desastres da Cáritas Nepal, Arpana Karki, alertou que as reservas de alimentos estão se esgotando junto às famílias acolhedoras que abrigam milhares de deslocados. As chuvas intensas e a destruição de infraestruturas rodoviárias estão bloqueando o acesso das equipes de resgate a dezenas de localidades. A Cáritas identificou ainda 56 crianças órfãs vivendo em abrigos superlotados e propôs a criação de espaços de aprendizagem temporários durante o processo de reconstrução.




