O comandante do Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis) da PSP, superintendent-chefe Luís Elias, defendeu em entrevista à agência Lusak um reforço de policiais para o maior comando do país, considerando que a área do Cometlis está funcionando com o efetivo mínimo para todas as necessidades. O comando abrange nove municípios com uma população de cerca de três milhões de pessoas e conta apenas com seis mil policiais. Luís Elias sublinhou que o Cometlis é a maior unidade armada e uniformizada do país, maior do que a Marinha portuguesa ou o efetivo da Polícia Judiciária, e alertou que o número de policiais não pode baixar de determinado nível.
O comandante pediu ainda menos discursos alarmistas sobre segurança na praça pública, respondendo aos alertas do presidente da Câmara Municipal de Lisboa sobre um clima de insegurança nas ruas da capital. Luís Elias considerou que o político tem legitimidade para as declarações que entender, mas defendeu que as políticas de segurança requerem trabalho efetivo e coordenação entre diferentes entidades, incluindo a própria prefeitura. Os números oficiais não demonstram uma situação de insegurança generalizada, com a criminalidade geral aumentando 2,9% nos primeiros oito meses do ano na área do Cometlis, mas a criminalidade violenta e grave baixando 0,4%.
Sobre os 200 policiais prometidos pelo primeiro-ministro Luís Montenegro para Lisboa em maio, o comandante referiu que está em andamento um curso de formação na Escola Prática de Polícia que termina em 18 de dezembro, esperando que uma parte significativa desses policiais sejam colocados no Cometlis. Em maio, quando terminou o último curso, foram colocados em Lisboa 190 policiais. Luís Elias avançou ainda que a PSP entregou ao Ministério da Administração Interna uma proposta de reestruturação do dispositivo em Lisboa, Porto e Setúbal, que em alguns casos não implica fechamento de delegacias, mas sim a sua conversão em outro tipo de instalações policiais.
O comandante destacou que o aumento de crimes como tráfico de drogas, condução com álcool ou ilegal, desobediência e furtos por carteiristas na Grande Lisboa explica-se principalmente pelo reforço da presença policial e pela proatividade da PSP. Até ao final de agosto, a PSP fez mais 500 detenções em comparação com o mesmo período do ano anterior. Luís Elias manifestou ainda preocupação com assaltos e roubos organizados por grupos internacionais, referindo-se ao gangue do rolex, um grupo criminoso da América do Sul responsável por assaltos violentos a condutores de veículos topo de gama, cujo caso está a cargo da Polícia Judiciária.




