O líder da bancada parlamentar do PSD, Hugo Soares, considerou "ridícula" a moção de censura anunciada pelo presidente do Chega, André Ventura, considerando que é o próprio Ventura quem coloca "em causa as instituições". Em entrevista à SIC Notícias, Hugo Soares explicou que a moção é contra o Governo e não apenas contra Luís Neves, ministro da Administração Interna, sublinhando que o objetivo de uma moção de censura é derrubar um governo e provocar eleições.
Hugo Soares criticou o timing da moção, considerando que se trata de "um terminar da silly season" em que todos vão alimentando a especulação que André Ventura promove. O social-democrata lembrou que tudo começou com uma comissão de inquérito anunciada por Ventura, passou para um projeto de resolução para pedir a demissão do ministro e terminou com a ameaça de moção de censura, com as televisões a darem espaço mediático ao líder do Chega para anunciar a moção.
Quanto às revelações sobre a conduta de Luís Neves, Hugo Soares desvalorizou, indicando que o ministro "anda num carro que era de um ex-traficante de droga", mas que tal prática é normal quando se usam bens apreendidos a criminosos. O líder da bancada do PSD condenou as declarações de Ventura que associam o ministro ao tráfico de droga, defendendo que Luís Neves "combatou como poucos o tráfico de droga durante uma vida inteira".
Na quarta-feira, o Chega entregou no Parlamento uma moção de censura ao Governo que, para passar, teria de ter o apoio do PS. Um dia antes, Luís Neves tinha reagido às polémicas numa cerimónia da PSP na Madeira, afirmando: "Podem continuar a gritar, vou continuar a governar."




