A vida não começa amanhã | Por Ana Alexandra ResendeFoto de Vinícius Vieira ft no Pexels
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A vida não começa amanhã | Por Ana Alexandra Resende

Postal do Algarve3 de setembro de 2026 às 07:30

A autora Ana Alexandra Resende escreveu um artigo de opinião intitulado "A vida não começa amanhã", no qual alerta para a perigosa tendência humana de adiar a vida para amanhã. O artigo começa analisando a expressão "Amanhã eu faço", argumentando que essa frase aparentemente inofensiva esconde uma armadilha, pois quando as coisas acalmam em uma área, surgem imediatamente problemas em outra. A autora observa que temos mais ferramentas para economizar tempo do que nunca, mas paradoxalmente sentimos uma permanente falta de tempo e cansaço, transformando o tempo economizado em tempo disponível para fazer ainda mais coisas.

Resende também aborda a questão do dinheiro e da responsabilidade, reconhecendo que é necessário trabalhar e pagar contas, mas alertando para a diferença entre ser responsável e passar a vida preocupado com o que pode dar errado. Destaca que se esperarmos para começar a viver quando tivermos dinheiro, estabilidade e problemas suficientemente pequenos, a espera será longa.

Uma parte significativa do artigo é dedicada à reflexão da autora como arqueóloga. Ela descreve como passa o tempo estudando vestígios de pessoas que já morreram, encontrando objetos do cotidiano dessas pessoas, e questiona a ironia de passarmos tanto tempo tentando entender como os mortos viveram enquanto temos dificuldade em lembrar de viver enquanto estamos aqui. A autora argumenta que viver não significa fazer viagens extraordinárias, mas sim coisas simples como tomar um café sem olhar para o celular, ligar para alguém de quem nos lembramos, ou dizer "eu te amo" enquanto ainda podemos dizê-lo.

O artigo termina com a mensagem central de que a vida não começa depois de resolvermos problemas, de termos mais tempo, de os filhos crescerem, ou de nos aposentarmos. A autora propõe que devemos guardar uma pergunta para as manhãs em que acordamos preocupados: não o que temos de fazer hoje, mas o que vamos viver hoje. Conclui que ainda temos uma vantagem sobre os arqueólogos do futuro que um dia estudarão nossos vestígios: ainda estamos aqui e ainda podemos escolher.

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