O petróleo fechou mais uma sessão em alta, mantendo-se acima de 90 dólares impulsionado pela continuidade das hostilidades no Estreito de Ormuz. O barril de Brent, referência para os mercados europeus, subia 0,9% para cerca de 95,5 dólares, enquanto o crude WTI avançava 0,6% até 90,75 dólares. Comparando com os valores de uma semana antes, a alta fica quase em 10%. Os valores ficam abaixo do pico das hostilidades entre americanos e iranianos, quando o barril superou largamente os 100 dólares.
O Secretário de Energia americano, Chris Wright, garantiu em entrevista à CNBC que mais de 17 milhões de barris haviam transitado Ormuz na segunda-feira, o que significaria que a região estava exportando mais petróleo do que antes de 28 de fevereiro, quando americanos e israelenses começaram a bombardear o Irã. Wright defendeu que Teerã está "perdendo a capacidade de manter a economia global refém", embora fontes governamentais dos EUA tenham apresentado números do tráfego marítimo em Ormuz consistentemente acima dos reportados por agências independentes.
O economista Pedro Braz Teixeira destaca que o setor de refinação está muito limitado em nível global, o que tem feito com que os preços nas bombas tenham reagido lentamente à queda da cotação internacional. Assim, nova alta não tem um efeito tão imediato nos preços da energia. Como a pressão é generalizada em nível mundial, afeta a concorrência igualmente, o que não cria problemas específicos às empresas portuguesas.
Em Portugal, os combustíveis devem ter novo salto na próxima semana, com o diesel a saltar 14 centavos e a gasolina sete. A alta das taxas de juros diante da nova onda de pressão nos preços está sendo incorporada pelos mercados, criando margem para adaptação. No entanto, o agravamento do serviço da dívida, tanto para finanças públicas como para empresas e famílias, será mais uma fonte de pressão, e outros impactos como a alta dos fertilizantes demorarão mais para se materializar na cadeia agroindustrial.




