O grupo francês Crédit Agricole moveu duas ações judiciais no Tribunal da Comarca de Lisboa, em julho, que ultrapassam em conjunto os mil milhões de euros. Os processos têm como visados Ricardo Salgado, Amílcar Morais Pires e a Rioforte, o braço não financeiro do Grupo Espírito Santo. O banco francês pediu 855 milhões de euros, enquanto a seguradora Predica, também do grupo Crédit Agricole, exige 152,8 milhões de euros. Nenhuma das partes comentou os processos.
O Crédit Agricole foi um dos principais aliados da família Espírito Santo na recuperação do controlo do BES no início da década de 1990, após a nacionalização do banco em 1975. Os franceses chegaram a ser o segundo maior acionista do banco, com mais de 20%, através da holding Bespar, que era controlada em conjunto pelas duas partes e detinha mais de 35% do BES.
Em 2014, os franceses detinham 20,1% do BES entre participações diretas e indiretas, incluindo 16,7% através da Bespar e uma participação direta de 10,8%. Meses antes da queda do banco, as duas partes extinguiram a Bespar, passando cada uma a deter posições autónomas. Com o aumento de capital de 1.045 milhões de euros em junho de 2014, no qual os franceses investiram apenas 10 milhões, a sua participação foi diluída para menos de 15%.
A 4 de agosto de 2014, o Banco de Portugal avançou com uma medida de resolução ao BES, fazendo com que os acionistas, incluindo o Crédit Agricole, perdessem tudo. O banco francês é agora o mais recente credor a intentar ações contra antigos responsáveis do BES, mais de uma década após a falência do banco.




