Diogo Amaro, de 33 anos, natural de Vila Verde dos Francos, no município de Alenquer, foi forcado durante doze anos, estreando-se em 2010 na Figueira da Foz e aposentando-se em agosto de 2022 em Alcochete. Durante esse período, chegou a realizar entre cinco e nove pegas por temporada, trabalhando como forcado da cara, o homem que fica diante do touro no início da pega. Antes da tauromaquia, dedicou-se ao trabalho com animais e à produção de queijo, passando muitas horas sozinho na serra de Montejunto, onde começou a desenhar e escrever num caderno. Uma professora de Educação Visual já tinha dito a ele que possuía um traço diferente e que deveria seguir arte, mas Diogo não seguiu esse caminho naquela altura.
Em 2020, no Campo Pequeno, em plena pandemia, Diogo sofreu um grave acidente durante uma corrida. O impacto projetou-o a cerca de três metros, caindo de cabeça no chão sem conseguir proteger-se com os braços. Foi transportado para o Hospital de Santa Maria com diagnóstico de choque medular, mas conseguiu levantar-se e sair do hospital no dia seguinte, considerando o que aconteceu um "milagre". Durante cerca de um mês sentiu que o corpo e a cabeça não respondiam com normalidade, mas regressou às arenas na temporada seguinte, decidindo continuar até que, dois anos depois, considerou que era hora de parar.
A pandemia acabou por mudar o rumo da vida de Diogo. Com a impossibilidade de vender queijo, decidiu dedicar-se à pintura de forma mais séria. Começou a criar obras em acrílico, pastel, desenho e serigrafia, experimentando também materiais como fita adesiva e objetos encontrados.




