A Polícia Nacional de Espanha concluiu, através de um relatório elaborado por uma unidade de informações, que agentes das forças de segurança marroquinas, conhecidos como "gendarmes", orientaram a entrada em massa de pessoas em Ceuta no final de julho. O documento foi enviado na segunda-feira à juíza que está a investigar o caso e foi inicialmente noticiado pelo jornal El Español. Segundo o relatório, a invasão foi guiada por polícias marroquinos sob ordens de agentes à paisana com um objetivo diferente do migratório, tendo sido invocadas imagens registadas no lado marroquino da fronteira.
O Ministério da Administração Interna de Espanha, liderado por Fernando Grande-Marlaska, pediu explicações à direção da Polícia Nacional sobre o relatório, salientando que não tinha sido previamente informado sobre estas informações. O ministro lembrou que foi declarada a "situação de interesse para segurança nacional" por causa de Ceuta e que a informação devia ter sido posta "imediatamente à disposição" de todos os membros do Conselho de Segurança Nacional, o que inclui o primeiro‑ministro e o próprio MAI.
O Governo de Espanha tinha assegurado repetidamente não haver qualquer indício do envolvimento das autoridades de Marrocos na entrada de mais de 70.000 pessoas em 24 horas de forma ilegal em Ceuta. O primeiro‑ministro Pedro Sánchez tinha dito na segunda-feira que não existia "nenhuma informação" que responsabilizasse ou apontasse para a participação de Marrocos de qualquer forma.
O relatório policial sublinhou ainda que a maioria das pessoas que entraram em Ceuta não se enquadrava no perfil de migrante que quer alcançar território europeu, com mais de 90% a abandonar quase de imediato a cidade e a regressar a Marrocos. No entanto, um segundo apelo à entrada em Ceuta em 15 de agosto, que circulou nas redes sociais, foi totalmente controlado por Marrocos, ao contrário do que aconteceu em julho.




