A Acreditar – Associação de Pais e Amigos de Crianças com Câncer comemorou este ano o "Setembro Dourado" com a mensagem "Não nos obriguem a escolher. Uma criança com câncer precisa dos dois pais", alertando para a necessidade de rever o regime de acompanhamento a filhos com doença oncológica para que ambos os pais possam estar presentes em simultâneo nas fases mais complexas da doença, como o diagnóstico, a recidiva ou o fim de vida.
Esta reivindicação surge na sequência de uma Carta Aberta promovida pela Acreditar no ano passado, que alertou para a necessidade de reforçar os apoios sociais às famílias. Desde então, foram dados passos importantes, nomeadamente no subsídio de assistência a filho com doença oncológica, que passou de 65% para 100% da remuneração de referência. No entanto, a possibilidade de ambos os pais acompanharem simultaneamente a criança nos momentos mais complexos continua por resolver.
Os Padrões Europeus de Cuidados para Crianças e Adolescentes com Câncer, cuja versão portuguesa vai ser lançada pela Acreditar em Setembro, defendem que a resposta em oncologia pediátrica não pode limitar-se ao tratamento clínico e que a família deve ter condições reais para estar presente quando a criança mais precisa. Filipa Silveira e Castro, membro da comissão diretiva da Acreditar, sublinhou que estes padrões dão visibilidade a necessidades que a associação tem vindo a señalar há vários anos em Portugal, desde condições nas equipas de saúde até proteção social mais justa.
Em Portugal, são diagnosticados cerca de 400 novos casos de câncer pediátrico por ano e, apesar de a taxa de sobrevida rondar os 80%, o câncer continua a ser a primeira causa de morte por doença entre crianças e adolescentes. A Sociedade Portuguesa de Hematologia e Oncologia Pediátrica reconhece que, apesar dos progressos alcançados, persistem desafios relevantes na resposta em Portugal, nomeadamente no acompanhamento a longo prazo dos sobreviventes e na capacidade de resposta em áreas especializadas.




